11 de julho de 2026

Estudante da tragédia da Cândido Portinari ainda não foi indiciado


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Desabafo - Rubelita Monteiro e seu filho Paulo César de Almeida, um dos sobreviventes da tragédia. “É como se nada tivesse acontecido. A gente fica aqui esperando respostas de alguém”, diz a mulher que perdeu o marido no acidente que deixou seu filho invá

O estudante de agronomia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Thiago Terue Kuratani, protagonizou um dos mais terríveis acidentes de trânsito ocorridos na Rodovia Cândido Portinari. Nove meses depois, o estudante ainda não foi indiciado. O carro que ele dirigia, em 31 de outubro do ano passado, atropelou e matou quatro pessoas que estavam no acostamento da pista, esperando um ônibus com destino a  Pedregulho. Da tragédia restaram dois sobreviventes, uma menina de 9 anos, salva pela avó que morreu no acidente, e um jovem de 21 anos, que acompanhava o pai - também morto no atropelamento.  Kuratani é acusado de homicídio doloso (com intenção de matar).


O inquérito continua sem conclusão na mesa do delegado João Walter Tostes, do 2º Distrito Policial, que aguarda o indiciamento do rapaz. Tostes mudou os rumos do processo depois de entender que o estudante poderia ter ingerido bebida alcoólica, horas antes do acidente, numa festa de universitários que acontecia no dia. Depois do atropelamento, o motorista se recusou a fazer o exame de sangue e o teste do bafômetro, para identificar se teria ingerido álcool. “Ele fez uso de seus direitos constitucionais e não ofereceu material sanguíneo para análise. Diante disso, cabe ao Estado fazer provas da culpabilidade dele. Agora estamos, através dos laudos dos peritos e provas testemunhais,  além dos laudos dos exames de corpo de delito, pedindo que ele seja julgado pelo Júri Popular”.


O pedido para que o estudante seja indiciado por homicídio doloso foi enviado para Piracicaba (SP), em novembro do ano passado. João dos Reis Neto, advogado que defende o jovem, entrou com habeas corpus, pedindo que prevalecesse o entendimento no indiciamento por homicídio culposo (sem intenção de matar). “Ocorreu este entrave no inquérito, mas a Justiça indeferiu o pedido do advogado e agora o inquérito segue no rito normal, aguardando a carta precatória do indiciamento do motorista que está em São Paulo, novo endereço do estudante”, disse o delegado.


Ontem, o advogado do estudante atendeu a reportagem do GCN Comunicação. Ele não quis gravar entrevista, mas alegou que seu cliente está à disposição da polícia para todos os esclarecimentos. Segundo ele, o estudante ainda não foi notificado sobre a existência da precatória. Neto alega que o universitário não estava alcoolizado e, por isso, entende que seu cliente deveria responder pelo homicídio culposo. Disse ainda que, no dia dos fatos, o motorista estava trabalhando na organização de um evento realizado pelos campi da USP (Universidade de São Paulo). Thiago Terue Kuratani também foi procurado pela reportagem diversas vezes na tarde de ontem, mas o telefone celular estava fora de área e o da residência, só chamava.