09 de julho de 2026

Em resposta a Raymond Carver


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(para a Dani)

E se a polícia nunca chegar quando eu chamar?
E se eu dormir e não mais acordar?
E se eu acordar sem jamais dormir?
E se o passado não despertar?
E se o presente nunca passar?
E se o telefone parar de  tocar?
E se a chuva não mais cair?
E se a chuva cair sem os pingos?
E se a chuva só cair aos domingos?
E se aquele corpo for conhecido?
E se aquele corpo for um completo desconhecido?
E se você nunca partir e eu tiver que fazer alguma coisa?
E se você partir?
E se eu começar a ter esperança?
E se eu nunca me confundir e se eu for eternamente correta e se eu for ideologicamente displicente?
E se eu mentir?
E se eu mentir que eu menti?
E se meus filhos me deixarem no meio do caminho?
E se eu deixá-los, as mãos pequenas, no meio do caminho?
E se eu tiver que continuar?
E se isso nunca passar?


Claudia Filipin
Leitora