09 de julho de 2026

Não me aceite como sou


| Tempo de leitura: 2 min

Nesse retorno das férias escolares aproveito o espaço para contar sobre um autor que tive a felicidade de ‘conhecer’ via programa de rádio pela internet. Trata-se de Reuver Feuerstein, um romeno que vive em Israel e lecionou e possivelmente ainda leciona lá, como também nos Estados Unidos. Ele desenvolveu uma teoria que se denomina ‘Teoria da Aprendizagem Mediada’, cuja tese de doutorado na área da Psicologia desenvolveu-se a partir de experiências e vivências com crianças e jovens com problemas de aprendizagem.


O autor defende uma aproximação ativa com a pessoa socialmente considerada deficiente a qual se caracteriza pela expressão ‘não me aceite como eu sou’. A doutora Sílvia Zanata da Ros, em Pedagogia e Mediação em Reuver Feuerstein, editora Plexus, contempla de forma brilhante a orientação pedagógica do autor e sinaliza para uma mudança de paradigma na relação professor/aluno.


Recomendo a leitura a todos os profissionais que lidam com indivíduos com história de deficiências, mas, sobretudo aos professores em geral, cuja mensagem marcante é a da aproximação, o encontro entre dois sujeitos: aquele que medeia, e o aluno.


É muito complicado falar de educação num País como o Brasil, cuja maior preocupação dos governantes é com o número de alunos matriculados e não com a qualidade do ensino ministrado.


O histórico de violência dentro das muradas das escolas brasileiras desde alguns anos é o retrato do descaso com a Educação por parte das autoridades. Quantos professores contraem doenças emocionais graves em razão de se sentirem parte de um processo que não funciona e que não fornece resultados; e além de tudo, são desrespeitados, humilhados, agredidos no exercício de uma das mais, senão a mais bela profissão do mundo.


Todos esses fatos sinalizam que as coisas tomaram um rumo de difícil retorno e que não há no horizonte um lugar seguro onde os atores sociais envolvidos nesse drama possam aportar.


O Brasil vive uma crise moral e educacional sem precedentes. Tenho comigo que a nação clama: não me aceite como estou. Há um genocídio intelectual em andamento. As pessoas não se interessam mais pelo aprendizado. A preguiça mental assola crianças, jovens e adultos.


Lamenta-se que o Brasil tenha ficado apenas entre os seis melhores times de futebol do mundo, mas ninguém lamenta a classificação do País no item ‘educação’, que está entre os piores do planeta. A inversão do que seja realmente importante é acachapante.


Analfabetismo não é um fenômeno natural. Analfabetismo se contrai a partir do momento que a criança entra em contato com a escola brasileira. Conheço um professor cujo nome é A. C. Portinari Greggio, que em 2007 escreveu um artigo brilhante intitulado ‘Como se enterra um país’, advertindo que 75% da população brasileira egressa do ensino primário não sabem hoje o que sabia na década de 1940, que era ler, escrever e calcular.


Ensinar é um sacerdócio. A escola deveria ser respeitada como a um templo. Ao contrário, o que se vê nesse País são depredações, violências físicas e morais e a educação virando caso de polícia nos noticiários.

 

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora