A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais procura, em Franca, comparsas do traficante internacional preso em Ibiraci (MG), com um avião suspeito de estar transportando drogas, na manhã de anteontem numa pista desativada no distrito de Laje, perto da Usina do Peixoto. Uma equipe mineira passou a quarta-feira na cidade buscando pistas e conversando com policiais da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Os agentes cruzaram informações com o objetivo de descobrir a ligação entre o homem detido e o dono de um Kadett com placas de Franca, apreendido no local.
No veículo, abandonado depois da chegada da polícia durante a operação que culminou na detenção do piloto ISC, 55, morador em Campo Grande (MS), foram localizados documentos de compra e venda do carro e uma conta de energia elétrica com endereço de uma moradora do Bairro City Petrópolis. “Uma equipe de policiais de Ibiraci esteve em Franca fazendo levantamentos e conseguindo qualificações. Temos fotos de envolvidos. Houve uma troca de informações com a DIG, que nos auxiliou com investigadores. Com certeza, todas as pessoas identificadas em Franca serão investigadas nesse esforço conjunto entre as duas polícias”, disse o delegado Marcos Piedade, responsável pela investigação mineira.
O delegado não informou quantas pessoas teriam sido identificadas. Entretanto, uma fonte ligada à polícia mineira revelou à reportagem do GCN Comunicação que investigadores estiveram no Bairro City Petrópolis, onde localizaram a casa do proprietário do Kadett. O morador não estava em casa, mas sua mulher informou que ele irá se apresentar ainda hoje, acompanhado de um advogado, na delegacia de Ibiraci, para explicar como seu veículo foi parar na vizinha cidade. A polícia também descobriu que o morador não estava em casa no dia em que o avião foi apreendido.
O piloto de aviões, que já esteve preso por tráfico internacional de drogas, passou a terça-feira prestando depoimentos ao delegado da cidade mineira. Ele continua detido com prisão temporária de cinco dias decretada pela Justiça. “Ele nega que estivesse transportando qualquer tipo de substância entorpecente dentro do avião. Ele alegou que o pouso aqui na região da Laje foi forçado, pois o motor apresentou defeito”, disse o policial.
AVIÃO SAIU DO PARAGUAI
As investigações feitas pela Polícia de Minas já revelaram que a aeronave invadiu o espaço aéreo do Paraguai. A informação foi confirmada pelo delegado Marcos Piedade e revelada pelo aparelho de GPS do avião, que será submetido a análise da Polícia Federal. “Percebemos pela leitura amadora que fizemos do GPS, que o aparelho esteve no Paraguai, além de localizarmos embalagens de gêneros alimentícios com etiquetas daquele país. A aeronave saiu de uma cidade paraguaia com destino exato ao aeroporto desativado existente em Laje. O piloto nega que tenha invadido o espaço aéreo paraguaio. A Polícia Federal tem mais condições de investigar esta rota e, por isso, informamos o caso a ela”, disse o delegado.