“A melhor maneira de ter bons filhos é fazê-los felizes”
Oscar Wilde, dramaturgo irlandês
Nasceu meu filho. João Toledo Franchini Corrêa Neves chegou na tarde de quinta-feira, 15 de julho, pontualmente às 15h10. Parto ultra-rápido, resultado das hábeis e competentes mãos do obstetra José Bernardes de Pádua - que, além de tudo, é carinhosíssimo e atencioso, predicados raros na medicina hoje em dia - e do pediatra Marcelo Bittar, além de toda a equipe da maternidade Unimed. João nasceu forte, cinquenta centímetros e 3,45 kg atingidos em 39 semanas de gestação, cercado de carinho e amor, numa cesariana “sem intercorrências”.
Doze anos separam João de minha primogênita, Julia. Neste hiato que divide os nascimentos dos dois, muita coisa mudou nas maternidades brasileiras. Hoje em dia, por exemplo, berçário é ambiente em desuso. Na Unimed, a criança nasce, passa por uma rápida avaliação e, minutos depois, já vai para o quarto com a mãe. Acabou a espera angustiante - e muito chata - pelo contato com o bebê. Assim foi com o João que, por volta de 16h, já estava no quarto com a mãe. E, claro, comigo, avó, madrinha... Muito mais prático, seguro e, principalmente, feliz.
Os berços de hospital também se modernizaram. Não tem mais leva e traz nem transporte de bebês de um lado para o outro. Muito por conta de um modelo novo de berço, de acrílico transparente, que funciona como um carro flex para recém-nascido. Serve para dar banho e também para dormir. Tudo depende dos apetrechos acoplados. Muito prático, ótimo para as famílias e, tenho convicção, melhor ainda para os bebês.
Na hora de comer, mais novidades. Se o leite da mãe demora um pouco para sair e a criança não se contenta com o colostro (leite de baixo volume e consistência rala secretada nos primeiros dias), a solução vem em forma de Nan. Mas nada de chuquinhas ou mamadeiras... O bebê, com poucas horas de vida, toma leite é no copinho mesmo. É incrível, mas funciona. As enfermeiras enchem o copo e, com jeito, inclinam para permitir a sucção. E o bebê, que ainda não tem mais do que algumas horas de vida, bebe direitinho, sem o risco de se acostumar com mamadeiras e depois rejeitar o fundamental leite materno. Não sei não, mas tive a impressão de que, se fosse guaraná no tal copinho, o João até mexeria o gelo com os dedinhos.
Na hora de receber alta da maternidade, mais surpresas. Uma enfermeira entrega um “manual” (sem exageros) com todas as informações imagináveis sobre o bebê, além de dicas e informações utilíssimas sobre os primeiros cuidados. Além de altura, peso, registro dos pés e mãos, você ainda é informado que seu filho, a esta altura ainda com menos de três dias de vida, já está convocado para a primeira reunião de sua incipiente existência. E com lugar definido e hora marcada.
No caso do João, seu primeiro compromisso aconteceria às 13h30 de terça-feira, na UBS do Parque Progresso. Foi ali que ele se apresentou em companhia da mãe, na hora prevista, para fazer o teste do pezinho (coleta de sangue para detectar precocemente eventuais doenças metabólicas) e tomar a primeira dose de vacina BCG (contra tuberculose). Uma experiência nada agradável - apesar de fundamental - para um recém-nascido. O choro depois da agulhada foi inevitável. A prevenção assegurada pela BCG, idem.
Ao deixar o hospital, você leva ainda o registro do bebê, outra novidade. Ninguém mais precisa ir a cartório nenhum. Você deixa a maternidade já com a certidão de nascimento de seu filho. E, a cereja do bolo, leva também um CD com dezenas de fotos feitas por atenciosas enfermeiras na sala de parto. Literalmente, você tem documentado o primeiro choro, a primeira abertura de olhos, o primeiro banho, o primeiro aconchego no colo da mãe. Uma idéia simples e, por isso mesmo, genial.
João completa hoje dez dias de vida. Foi um começo agitado. Conheceu muita gente, recebeu doses intensas de carinho, mamou muito, chorou um pouco. Está se acostumando com seu quarto, com a babá Isabel, sempre cuidadosa, com a enfermeira Renata que ajuda a mãe de primeira viagem a vencer as noites iniciais de preocupação com o estado da cria. João também sofreu com seu primeiro resfriado, que tapou as narinas e dificultou o sono já tão picado, e irritou-se - em alguns momentos, profundamente - com as cólicas recorrentes que atingem 10 em cada 10 recém-nascidos. Mas está absolutamente bem.
Minha mãe, mulher experiente que deu a luz a dois filhos nos anos 70, acompanhou o nascimento da primeira neta no final dos anos 90 e que agora segue de perto o desenvolvimento do João, ri de tudo e diz que os bebês de hoje saem da maternidade com ISO 9000. Nada das rotinas extenuantes de antigamente, dos sete dias de internação recheados com doses cavalares de antibióticos a que eram submetidas as gestantes, dos chás que se adicionavam de forma desnecessária ao aleitamento materno, da carência quase absoluta de informações. Mãe de antigamente, quando muito, contava com a própria mãe para lhe servir de guia. Era isso, muito amor e pouca coisa a mais.
As políticas de saúde evoluíram enormemente e as gestantes de hoje encontram pela frente cenário bem mais tranquilo. O que continua o mesmo de sempre é o forte sentimento que liga pais, filhos, avós. Sei que os livros garantem que bebês riem de forma involuntária, como simples reflexo muscular, e que suas dezenas de olhares e carinhas diferentes nada têm de muito profundo, mas tenho comigo que o sorriso que o João abre quase sempre que chego perto é consciente. E que a cara de conforto que faz quando mama no peito da mãe ou descansa em meu colo é igualmente resultado do bem-estar que sente.
Prefiro pensar assim. Se eu estiver errado, ninguém perde nada com isso. Mas, se estiver certo, cada instante mínimo que passo ao lado do meu filho terá sido essencial para reafirmar entre nós este laço singular que une de forma tão especial os homens, as mulheres e seus descendentes na raça humana: o amor. Um sentimento único - e exclusivo - da nossa espécie.
CORRÊA NEVES JÚNIOR
é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br