08 de julho de 2026

'Só quero justiça'


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Karen Daniele, 22, perdeu os pais e a irmã em um acidente há 36 dias. Até agora, nenhuma explicação

No dia 19 de junho, um sábado, a operadora de caixa Karen Daniele, 22, almoçou com os pais e a irmã na casa da família, em Guará. Terminado o almoço, o pai, a mãe e a garota de 12 anos saíram para visitar uma parente em Guaíra. Karen ficou em casa. Vinte minutos depois, seu namorado chegou correndo e deu a trágica notícia: sua mãe, seu pai e sua irmã estavam mortos vítimas de um desastre. Em poucos minutos a jovem que acabara de desfrutar de um almoço em família estava sozinha.


Trinta e seis dias se passaram desde então e nenhuma explicação para a tragédia foi dada pelas autoridades. O produtor rural e candidato a deputado federal pelo PSDB, Tirso Meirelles, que se envolveu no acidente com os três mortos, ainda não prestou esclarecimentos à polícia. Karen não recebeu nenhuma assistência, nem  para o funeral, e reclama da falta de amparo e explicações.


Sabe-se pouco sobre o que aconteceu naquela tarde de sábado. Não havia testemunhas. A família ocupava um Fiat Uno branco e seguia para Guaíra, onde visitaria a avó materna de Karen, que estava internada na Santa Casa. Tirso retornava de uma festa de aniversário em Guaíra. Ele estava sozinho a bordo de uma caminhonete Ford Edge V6 preta. Por volta das 16h50, na altura do quilômetro 87 da Rodovia Prefeito Talarico, os dois carros se chocaram. O supervisor Jandemir Missias da Silva, 47, a mulher Elizete Aparecida Silva, 46, e a filha, Izabella Missias da Silva, 12, morreram na hora. O político escapou sem ferimentos graves. Até agora, nada disse sobre o desastre.


Quase 40 dias depois, não há uma conclusão sobre as causas do violento acidente. No Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Rodoviária de Orlândia consta que Tirso Meirelles invadiu a pista contrária. Em razão dos danos provocados nos veículos, o delegado José Bernardino Alecrim, do 1º Distrito Policial de São Joaquim da Barra, responsável por apurar responsabilidades, acredita que o candidato teria dado causa ao acidente. “É uma suposição, mas dependo dos laudos periciais para poder afirmar o que aconteceu. Veja bem: não temos testemunhas, as vítimas morreram e o indiciado não vai falar que ele tentou ultrapassar... Pedi aos peritos para avaliar a velocidade aproximada desenvolvida pela caminhonete”. O laudo deve ficar pronto em dez dias.


O policial voltou a afirmar, na sexta-feira, que o candidato a deputado se recusou a fornecer sangue para fazer o exame para medir o nível de álcool no organismo. Sem sua autorização, é impossível saber se ele estava alcoolizado ou não. Tirso Meirelles ainda não prestou depoimento.

O delegado disse que ele será ouvido no inquérito policial por carta precatória em Franca e que já enviou o documento para a Delegacia Seccional. O assistente da delegacia local, Daniel Paulo Radaelli, afirmou ao Comércio que ainda não recebeu a precatória. Enquanto a polícia não encontra a carta precatória, o inquérito fica parado.


O delegado Bernardino disse que o fato de Tirso Meirelles ser um homem público e integrante de família influente não está interferindo nas investigações. Órfã dos pais e sem a única irmã, Karen passou a morar com a família do namorado. Ela está indignada com a lentidão na apuração do caso. “Sei que tem muita coisa envolvida, muita gente, muitos nomes, mas, se a polícia pudesse dar mais atenção e ver o meu sofrimento, eu agradeceria. Só quero justiça”.