Em espinhoso estudo sobre a mentalidade revolucionária, o filósofo Olavo de Carvalho conceitua o que é movimento revolucionário. Trata-se de ‘uma proposta abrangente de futuro a ser realizada mediante a concentração de poder no presente’. Inicia-se com os projetos milenaristas dentro das religiões, onde se apregoava e se apregoa que haverá um milênio de paz e justiça na terra. Isso foi combatido por Santo Agostinho em duas obras escritas por ele, A Cidade dos Homens e a Cidade de Deus.
Deixou claro, através de seus estudos que a ‘cidade dos homens’ por mais politicamente organizada que seja, tem sua pedra fundamental lançada sobre um mundo de contradições e enganos.
Se não acredita nisto, olhe para dentro de você. Os animais se realizam e são felizes pelo que são. Os humanos não. Nem com toda a fama, todo o dinheiro do mundo, todos os bens, toda a beleza, todas as boas amizades e boa saúde, ainda assim faltará algo.
Trata-se do vazio de Deus. Todo ser humano padece desse vazio de Deus e tenta preenchê-lo com orgias de toda sorte. O mundo não crê em Deus. O mundo mata Deus todos os dias.
Tanto é assim que se criou um ‘relativismo’ não só moral, mas que infecta todos os aspectos da vida. Interessante é que se aproveitam do mau juízo das criaturas humanas em se autoenganarem. Os demiurgos atuais, os fazedores e criadores do mundo da fantasia, valem-se de artifícios psicológicos para dizer tudo o que as pessoas adoram ouvir. Relativizam a verdade, invertem a causa e o efeito, invertem sujeito e objeto, invertem a moral.
Experimente relativizar sua conta bancária. Num belo dia você recebe uma correspondência do banco afirmando que seu saldo encontra-se negativo em R$ 10 mil reais. Tente relativizar isso. Tente abstrair essa realidade. Real, portanto, é aquilo que é, independentemente do meu pensamento. Não adianta pensar diferente. Sua conta bancária é o exemplo maior do que seja a realidade, daquilo que não se pode relativizar.
Com base nisto, observe os discursos políticos: ‘Nunca antes, neste País’; ‘Brasil, o país de todos’; os exemplos são infinitos. A realidade se mostra em franco desacordo com o discurso político/midiático.
Em 20 anos, dois milhões de pessoas foram assassinadas no Brasil pelas ações das organizações criminosas. O Brasil perde um Vietnã por ano, não de combatentes, mas de vítimas do narcotráfico. Aqui, transgredir compensa.
O povo brasileiro, em curto período de tempo virou piolho. Sabem por quê? Existe apenas na cabeça dos outros. Não tem cabeça, não pensa, não raciocina, não questiona. A desordem é ampla, geral e irrestrita. Mas na TV, tudo é bonito, organizado, decente. Domingo, 18 de julho, a Record veiculou uma reportagem sobre o narcotráfico, o poderio bélico e econômico dessas organizações e mostrou âmbitos de atuação e infiltração do crime organizado em todas as esferas de poder. Assistimos.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora