08 de julho de 2026

A dúvida de Tostão


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No caderno de esportes de A Folha de São Paulo o colunista Tostão, consagrado jogador de futebol e brilhante articulista, revelou dúvida quanto às habilidades apresentadas por algumas pessoas. Filosofava dizendo: será que o ser, ao surgir aqui na Terra, é uma tabula rasa (como pensava Dewey), ou é o resultado apenas do DNA do qual não pode fugir?


Essa visão caracteriza um entendimento que também pode ser compreendido em alguns lances: o ser é apenas material, nada existindo nele que perdure após a morte, como nada há antes de nascer. Se assim fosse, poder-se-ia adotar qualquer das hipóteses aventadas por Tostão, ou ambas, sem que se chegasse a qualquer conclusão definitiva. O homem seria, apenas, resultado da matéria organização aleatória da matéria, resultado do acaso.


Essa hipótese não pode prevalecer. Percebe-se, no universo, uma intencionalidade, um objetivo, um modelo. Ora, a ciência reconhece, atualmente, que este modelo é perfeito e só ele explica a existência do universo material. Assim, se há uma intencionalidade na criação não podemos, nem por hipótese, admitir a tese do acaso. Se se admite a existência de algo que sobreviva após o desaparecimento do corpo físico, há que se filosofar sobre o que nos acontece depois da morte. Para onde vamos? Como estaremos? Quem decidirá nosso futuro? E, além disso, o DNA é fatal, determinista?


Segundo o que nos ensina a Doutrina Espírita, nós somos espíritos transitoriamente experienciando uma vida material na Terra com o objetivo de ressarcimento de falhas cometidas e com finalidades de aprendizado, tudo perante nossa própria consciência, segundo o que estabelece a Lei de Deus. Nossa experiência aqui nesta escola abençoada de Deus não começa no berço e não termina no túmulo. Sendo espíritos criados por Deus para a felicidade, estamos submetidos às leis que governam a vida em toda a obra divina. Portanto, não somos homens. Estamos, provisoriamente, vivenciando uma experiência evolutiva como homens e mulheres. Estamos na espécie humana o que, no entanto, não implica que o nosso processo evolutivo começou aqui e agora. Somos de muito antigamente. Já passamos por inúmeras experiências que guardamos na memória espiritual indelével. Estas experiências se manifestam na nossa personalidade atual como tendências, como aptidões, para darmos continuidade a nossa evolução. É o que diz Platão quando afirma: ‘Aprender é recordar’. Claro que o meio ambiente e nossos pais influem no processo. No entanto, nada do que nos ocorre é casual. Tudo é resultado das nossas atitudes, tomadas sob o império do livre-arbítrio pelo qual somos responsáveis. Portanto, nem tabula rasa, nem produto do DNA. Somos ‘herdeiros de nós mesmos’, na feliz expressão de Emmanuel pela psicografia do médium Chico Xavier.

 

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)