A acupuntura - técnica que tem origem na China há milhares de anos e que ganhou popularidade em todo o mundo - consiste na inserção de agulhas muito finas em pontos estratégicos do corpo. Mas como esse método se transforma na cura ou, ao menos, ameniza problemas que vão de dor de cabeça a ansiedade?
Pela explicação tradicional, a acupuntura ativa determinadas correntes energéticas para equilibrar a energia do organismo. Pesquisas recentes comprovam efeitos benéficos e até encontram explicações científicas para a técnica classificada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como “terapia integrativa”.
Um artigo publicado por pesquisadores da Universidade de Rochester (EUA) na revista Nature Neuroscience há pouco mais de um mês diz que, cientificamente, as agulhas teriam efeitos no sistema nervoso central - as células cerebrais são ativadas e liberam endorfina, responsável pela sensação de relaxamento e bem-estar.
Esta pode ser a explicação para a sensação relatada pelo estudante de administração e estagiário André Felipe Queiroz, 22, que disse encontrar na acupuntura soluções para desconfortos que vão além das dores físicas. “Faço sessões desde o ano passado e isso vem me ajudando a controlar o estresse, a ansiedade e algumas dores musculares. Já na primeira sessão sentimos um relaxamento muito grande. Para mim, a técnica melhora até o sono da noite”, diz o jovem, que já recorreu ao método para tratamentos estéticos. “Emagreci dez quilos”.
O excesso de horas em frente ao computador é outro fator que leva principalmente os jovens aos consultórios. “É comum a busca para soluções de dores musculares, especialmente de lesão por esforço repetitivo. Os pacientes precisam de algo para ajudar a relaxar essa musculatura”, explica a médica pediatra e acupunturista Maria Theresa Palermo, que tem 14 anos de experiência na área.
No consultório dela, os jovens, em sua maioria homens, procuram principalmente soluções para cefaleia (dor de cabeça), tratamentos estéticos, crises alérgicas, traumas e ansiedade. “A maioria chega por indicação dos pais ou influência da mídia, mas em época de vestibulares aumenta bastante a procura, para reduzir a ansiedade e melhorar a memória”.
Os resultados, segundo a médica, são rapidamente percebidos. “Com uma sessão já há melhora. Com duas ou três, o resultado é muito perceptível. Já o resultado em estética, vai depender muito da adesão do paciente”.
Menos convicta, a estudante Karina Siqueira, 17, é da turma que pensa que “se mal não faz, está valendo”. “Uma vez procurei porque tinha muitas cólicas menstruais. Não sei se foi isso ou os remédios, mas melhorou. Agora estou pensando em procurar para melhorar a minha enxaqueca”.
NEM TUDO, NEM TODOS
Embora o método ofereça benefícios para um leque de incontáveis problemas de saúde, Maria Theresa lembra que há restrições na aplicação. “Em alguns casos específicos deve-se evitar alguns pontos. Nas gestantes, são tomados cuidados especiais. Daí a necessidade da formação em medicina e especialização (do acupunturista). Temos sempre que lembrar que a acupuntura não substitui a medicina ocidental”, diz.
Quanto custa?
A acupuntura geralmente envolve sessões semanais ou bissemanais. Na primeira sessão, o médico conhece a história do paciente e faz uma avaliação detalhada sobre os pontos a serem tratados. Geralmente, a sessão dura uma hora. O preço médio é de R$ 100 para a primeira consulta e R$ 50 para cada sessão.