08 de julho de 2026

Surpresas


| Tempo de leitura: 2 min

Há quem não goste de surpresas. Confesso que adoro ser surpreendida! Uma ideia que não tinha me ocorrido me amplia, cria um trabalho gostoso para minha imaginação, cérebro e alma. Uma paisagem, uma planta, um bicho, um objeto, uma arquitetura podem me inspirar metamorfoses.
Quando alguém resolve me surpreender com um presente inesperado... aí a criança curiosa que vive em mim dá cambalhotas de contente (que a adulta não sabe dar - que delícia ver o alemão Klose, na Copa!).


 De Dia dos Namorados ganhei do meu marido uma panela (atenção feministas de plantão! não é “qualquer” panela!). Detrás de uma linda orquídea, ele me trouxe de presente uma panela italiana que facilita a vida de qualquer pessoa que adora cozinhar (eu!). Panela, para quem gosta de cozinhar, é motivo de ciúmes. Uso, lavo e enxugo, e a guardo bem longe de mãos que possam usar utensílios que arranhem a pobrezinha, arruinando a possibilidade de ela render os seus melhores serviços. O design da panela, tão lindo, permite que vá ao forno, além de ter outras funções  - cozinhar ao vapor, fritar (tem uma prática peneira), guisar, cozer. E vai à mesa, com uma tampa de vidro, em visual charmosíssimo. Uma beleza!


A vendedora tentou dissuadir meu marido da sua escolha. Ele resistiu, felizmente (a vendedora deve mudar seus conceitos). Cozinhar dá trabalho, tudo o que vale a pena, e é realizador, dá trabalho! Mas se vale a pena, vale o esforço!


Ganhei vários presentes de uma viagem que uma amiga fez, para brindar os cinco sentidos, além de outro sexto sentido, da cultura do lugar: objetos para “fechar meu corpo” contra mau-olhado. Ela me apresentou a cultura do país que visitou através do seu filtro pessoal, sofisticado e elegante. Viajei com ela, afinal! Ela me levou-trouxe na sua mala, junto ao que viu, sentiu, pensou, mais intimamente. Há quem adore ouvir relatos de viagens (eu!). E ganhar, encore, objetos que exalam a cultura (desconhecida) escolhidos a dedo, a olho, ao toque, ao som ouvido por quem se lembra da gente, é um privilégio encantador que enriquece o espírito.


De meu irmão ganhei, via e-mail, uma doce recordação da minha infância, que me pegou totalmente desprevenida. Duas das historinhas que ouvia em disco de vinil. Ele me mandou as historinhas que eu mais gostava! (com desenhos animados e músicas cantadas).


Surpresas boladas por quem quer nos agradar são emoções instantâneas, íntegras, genuínas, que enlevam e nos levam para dentro do dentro da alma, recarregam de amor e delicadeza, ternamente, os sentidos cansados de guerra!


Como agradecer a quem nos surpreende assim?

 

Maria Luiza Salomão
Psicanalista e Psicóloga