A celeridade com que a Câmara dos Deputados correu para restabelecer a obrigatoriedade do diploma para jornalistas deixa uma pergunta no ar: o que exatamente esperam os deputados com esse tipo de decisão? Afinal, conhecidos pela vagareza com que discutem e deliberam sobre projetos de interesse popular, em menos de um ano aprovaram matéria que veda aos não diplomados a profissão de jornalista. A volta da obrigatoriedade do diploma para jornalistas foi aprovada anteontem pela comissão especial da Câmara que analisou o assunto, em uma resposta à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de junho de 2009 que revogou a exigência do diploma para jornalistas. O STF considerou que o decreto-lei 972 de 1969, que exige o documento, é incompatível com a Constituição, que garante a liberdade de expressão e de comunicação.
Não será a obrigatoriedade do diploma que irá tornará o jornalismo mais ético e menos passível de erros. Queiram ou não os que defendem a obrigatoriedade do diploma, o jornalismo depende não apenas de conhecimentos específicos. Claro que a correção gramatical, o domínio de técnicas de reportagem são, entre outras especificidades da atividade jornalística, características bem vindas. Mas, para exercer jornalismo é necessário muito mais do que isso que, inclusive, nem mesmo as faculdades têm demonstrado condições de fornecer. Senso crítico, ética, conhecimento plural, interesse pela notícia, necessidade de levar ao leitor (internauta, telespectador, ouvinte) a melhor informação, são alguns dos elementos que movem todo bom jornalista. Quem imagina tirar do ar um talento reconhecido e respeitado como o de Jô Soares, para ficar num único exemplo, só porque ele não tem diploma universitário de jornalismo? Claro que é inimaginável.
Da mesma forma, temos aqui no GCN Comunicação profissionais não diplomados em jornalismo que ajudam a fazer o Comércio da Franca, a rádio Difusora e as revistas editadas por este grupo veículos de comunicação respeitados e reconhecidos. Para ficar num exemplo caseiro. Se fosse obrigado a ter diploma, o repórter fotográfico Thiago Brandão não teria ganhado o Prêmio Esso de Jornalismo em 2007 - a maior premiação do setor no País. Ele, que flagrou uma mãe pulando num poço com água para salvar o filho do afogamento, sequer poderia trabalhar. Assim como ele, vários outros de nossos profissionais produzem e apresentam diariamente ao nosso público reportagens fincadas na ética e na qualidade. Sem formação formal em jornalismo, ajudam a desnudar problemas da cidade e da região, cobram atuações efetivas das autoridades, dão voz à comunidade. Tirar-lhes o direito de exercer a profissão, é calar tudo isso.