08 de julho de 2026

Para onde vamos?


| Tempo de leitura: 3 min

Além do título, inicio perguntando: existe vida além da mídia? O controle midiático é tão sistemático que se tornou o ópio do povo. Karl Marx disse que ‘a religião é o ópio do povo’. Trocaram um ‘ópio’ por outro.


E por falar em ópio, a Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (AIPESP) publicou um manual de prevenção às drogas denominado Reviver e classificou as drogas, dentre elas o ópio, como sendo um psicotrópico depressor do sistema nervoso central e que seus efeitos característicos, além da depressão geral do cérebro são: estado de torpor como isolamento da realidade, calmaria na qual realidade e fantasia se misturam; sonhar acordado; ausência de sofrimento; afeto embotado e sem paixões.


E não é exatamente isso que está a acontecer no meio social? As pessoas passam a maior parte da vida fugindo da própria realidade e sentadas no sofá da sala a assistir e interiorizar fantasias que nada têm de verdadeiras. A ação na tela é tão incessante que paralisa a vida, entorpece a mente, cega os olhos, e amputa o poder de escolha individual.


Essa droga se potencializa à medida que não se consegue notar nesses veículos de ‘trumbicação’ qualquer embrião de sanção positiva ou negativa.


Prova disso é que essa semana uma notícia veiculada por importante rede de televisão, num de seus programas jornalísticos de horário nobre, informou que na Avenida Paulista de São Paulo, metro quadrado mais caro do mundo, foi inaugurado um ‘Shopping do Contrabando’. Os ocupantes, donos das lojas, disseram à reportagem sem saber que estavam sendo filmados que lá o box para uma loja custa mais que o dobro do que os dos shoppings regularizados. Ao serem questionados sobre a fiscalização do município de São Paulo e também da Polícia, disseram, obviamente com imagens alteradas, que tudo ‘tá em casa’, ou seja, pagando propina, ninguém é incomodado.


Mas onde está o Estado de Direito? A propina, a corrupção, o dinheiro, são mais importantes que as leis? E ainda me vem um membro do ‘Parquet’ dizer que as pessoas vêem esse tipo de criminoso como a um ‘Robin Hood’, ou seja, como aquele que ‘tira dos ricos para dar aos pobres’ e não se irritam com eles. Ora, o povo, como o polvo, é manipulado o tempo todo. Quem tem de parar com isso? As autoridades. É possível que titica de galinha enlatada e com uma boa propaganda veiculada pela rede do sujeito mais poderoso que o ‘Cidadão Kane’, atinja os mais altos índices de aceitação da população, principalmente se estiver no rótulo que tal produto é bom para acabar com a celulite. Propaganda é a arma, e não a ‘alma’ do negócio. Com ela se extermina bilhões de consciências, de individualidades, de espírito crítico. Pierre Bourdieu, no livro Sobre a Televisão, argumenta sem qualquer temor que ‘Nossos apresentadores de jornais televisivos, nossos animadores de debates, nossos comentaristas esportivos tornaram-se pequenos diretores de consciências...’. Não dirigem apenas a fantasia de seus personagens, interferem diretamente na vida cotidiana das pessoas, conduzindo-as para onde bem ou mal entenderem.

 

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora