O estudante de direito Caio Meneghetti Fleury Lombardi, 22, morador em Franca, prestou depoimento pela primeira vez à Justiça ontem. Em fevereiro de 2008, ele atropelou o frentista Carlos Pereira da Silva, 39, no interior de um posto de combustíveis na Avenida Independência, em Ribeirão Preto. A audiência, que durou menos de 15 minutos, ocorreu no Fórum de Franca e foi presidida pelo juiz José Rodrigues Arimatéa.
“Audiência tem que ser clara, objetiva, rápida e se apegar aos fatos mais importantes”, disse o advogado Heráclito Mossin, que defende o estudante, justificando o pouco tempo que seu cliente levou para responder à carta precatória enviada pela Justiça de Ribeirão Preto.
Em seu depoimento, segundo Mossin, o estudante francano disse que estava em um “trote”, onde foi obrigado por veteranos de um curso de direito a fazer uso de bebida alcoólica, inalar lança-perfume e outros entorpecentes. No final da festa, ele levou três dos veteranos embora. O último a desembarcar teria lhe orientado sobre o caminho a seguir. “Ele (Caio) não conhece Ribeirão (Preto), foi orientado. E quando descia a rua, perdeu a consciência e ultrapassou a (Avenida) Independência”, comentou o advogado.
Caio Lombardi, durante a audiência, alegou ainda não se lembrar de ter atingido bombas de combustíveis e atropelado o frentista. “Ele só se recorda de um PM (policial militar) conversando com ele. Foi quando ele (Caio) perguntou o que estava acontecendo”, acrescentou Mossin. Sobre os tubos de lança-perfume encontrados no veículo que dirigia, o estudante disse que, provavelmente, seriam de um dos veteranos.
Preso desde o início do ano, Caio Fleury está recolhido no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca. A possibilidade de ele deixar o local para responder as acusações em liberdade está nas mãos do Superior Tribunal de Justiça, que analisa o habeas corpus impetrado por seu advogado. O jovem responde por homicídio doloso tentado e tráfico. Como todas as testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa, foram ouvidas, o advogado Heráclito Mossin acredita que em 30 dias a Justiça de Ribeirão Preto marque a data do julgamento.