08 de julho de 2026

Conselho de Leitores: voz ativa e poder efetivo


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O diretor-executivo do GCN Comunicação, em conversa com os conselheiros titulares do grupo no dia 12 de junho deste ano: críticas, dicas, e opiniões são fundamentais para o crescimento da empresa

Em 2005, quando completou 90 anos de circulação ininterrupta, o Comércio da Franca decidiu-se por implantar um sistema de ouvidoria capaz de monitorar como se dava a relação entre os leitores e o veículo.

Optou por um conselho de leitores. Para formulá-lo publicou convite a quem quisesse integrar e “conhecer mais de perto as dificuldades de fazer jornalismo diário e contribuir com opiniões, críticas e sugestões no dia a dia da redação”.
 
Ao texto citado agregaram-se os valores que se buscavam: “os escolhidos vão conhecer a estrutura e a equipe de profissionais que integram o Comércio e também participar das discussões de pautas sugerindo abordagens e perspectivas para as coberturas do jornal, analisar matérias veiculadas, discutir o conteúdo editorial, sempre sob a ótica de suas experiências pessoais”.
 
Responderam 18 pessoas, das quais 12 foram escolhidas (Rita Marta Mozetti Silva, professora; Adenair Dias de Andrade, auxiliar de contabilidade; Ana Célia Nascimento Borges, advogada; Juliana Sanches Passos, corretora de seguros; Junia Flavia Pereira Torquato Franco, empresária; Joelcy R. Passos de Vasconcelos, pedagoga; Paulo Rubens Gimenes, empresário calçadista; Marcelo Pini Prestes, arquiteto, arqueólogo e pesquisador da USP; Alexandre Henrique Leonel, farmacêutico; Ricardo Veríssimo Júnior, servidor público e bacharel em Teologia; Adilson de Almeida Manso, carteiro e José Ramon Ribeiro, dentista aposentado e produtor rural) e empossados em 25 agosto daquele ano. Tempos de aprendizado. De um lado e de outro se observava a necessidade de construir relacionamento até então inexistente, ainda sem regras, normas ou ações similares na maioria dos jornais brasileiros.
 
Estipularam-se, por consenso, as regras básicas: o conselheiro tinha direito a uma assinatura anual e, através da leitura diária construiria seus pontos de vistas para trocá-los em reuniões mensais. A editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal, no primeiro encontro, deu o tom do que estava por vir: “queremos que o Conselho ajude a nortear nossas ações. Através de vocês, precisamos entender cada vez melhor que nosso leitor espera do Comércio”.
 
Um ano depois, este primeiro grupo fez avaliação do trabalho, paralelamente ao lançamento de novo processo eletivo. Um dos conselheiros, Ricardo Veríssimo Júnior, confessou-se surpreendido: “apesar de sermos leigos no assunto o Comércio se preocupou em acatar nossas sugestões”. Juliana Sanches Passos concordou: “a gente opina e é ouvido”. Referiam-se ao que o grupo conseguira emplacar no contexto do Comércio - o Clubinho, caderno infantil semanal do jornal adequou-se à criança moderna e incluiu jogos, curiosidade e atividades de estímulo à imaginação; fotos chocantes na capa deveriam passar por análises ainda mais rigorosas quanto a publicar, ou não; a criação de um Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para estimular o relacionamento mais rápido entre os leitores e a empresa.
 
À época, Corrêa Neves Júnior, diretor-executivo do GCN Comunicação, destacava: “se a princípio podia parecer estranha a ideia de ter nossa atuação questionada por gente ‘de fora’, vimos que, na prática, isso é salutar. Determinadas ações, não tivessem sido propostas por leitores, talvez não tivessem o mesmo peso”.
 
O SEGUNDO CONSELHO
As 18 inscrições da primeira eleição foram suplantadas de longe: 102 pessoas - dentre as quais conselheiros do primeiro grupo que se candidataram à reeleição e levaram o Comércio a optar por manter sempre alguns que terminavam gestão para contribuírem com transferência de experiência - disputaram, com textos de próprio punho, acesso ao grupo novo.
 
Foram empossados em março de 2007, os 14 novos conselheiros (Camila Beghelli Schirato, Dinamar Lacerda Domiciano, Irinéia Donizete da Silva, hoje, jornalista do GCN Comunicação; Luís Eduardo Marques Ferreira, Marco Aurélio Piacesi, Rosa Santa Batista, Sérgio Coelho Lanza, Tiago Monteiro Martins, Margaret Aparecido do Nascimento Leite, Carlos Eduardo Gimenes de Matos, Tatiane Cristina Venuto, Marcos Donizete de Souza, Thaís Aparecida Machado e Ana Célia de Freitas). Alexandre Henrique Leonel, Ana Célia Nascimento Borges, Juliana Sanches Passos e Ricardo Veríssimo Júnior foram reconduzidos ao cargo. A diversidade de perfis marcou este novo grupo. Estavam representados os variados grupos sociais que leem o Comércio todos os dias: médicos, sapateiros, servidores públicos, corretores de seguro, estudantes, profissionais liberais e professores. As idades variaram entre 17 e 55 anos.
 
A maior parte da atuação deste segundo grupo já se deu nas novas instalações do Comércio da Franca, no Bairro Ângela Rosa. Durante a gestão, o jornal passou a praticar a inédita e bem sucedida “redação integrada”, reunindo no mesmo ambiente de trabalho seus jornalistas, radialistas e área de gerenciamento do site.
 
Essa integração - que se transformou em case internacional apresentado em evento internacional realizado em São Paulo - conduziu a empresa a institucionalizar o GCN Comunicação, holding que hoje responde pelo jornal Comércio da Franca, a Rádio Difusora AM 1030, 5 revistas segmentadas (Se Liga, Casar, Morar, Top of Mind e Aniversário de Franca) e o site, que proximamente se torna portal de internet. Os conselheiros foram determinantes em todos os estágios da evolução. Passaram a observar a produção jornalística do grupo como um todo e, em consequência, ajudaram-nos a desenhar e consolidar a estrada firme e sem obstáculos que nossos nossos veículos de comunicação percorrem hoje.
 
A TERCEIRA EDIÇÃO
As gestões do Conselho são de 1 ano, renovável por mais um se fica decidido contar com avaliação e acompanhamento do grupo em projetos que estejam em andamento. Renovação, no entanto, é essencial. A avaliação deixa de ser isenta a partir do momento em que finda a relação institucional e passa a vigorar a de companheirismo ou de amizade.
Aberto novo processo de nova eleição em 2008, 135 pessoas se inscrevem. O GCN Comunicação decidiu-se por manter, do grupo anterior, os conselheiros Camila Beghelli Schirato, Luís Eduardo Marques Ferreira, Carlos Eduardo Gimenes de Matos e Tatiane Cristina Venuto, que se tornam titulares. A eles, somaram-se Ana Paula Baldoíno, Anderson Marcelo Batista, Daniel David Machado, Fabrício Luís Pizzo, Janice de Oliveira Silva, Marcos André Haber, Maria Regina Franz Di Maio, Plínio Cantieri Murta Vieira (titulares), Daiane Ribeiro Gonçalves, Mirna Peixoto Dias, Susana Batista Messias, Henrique Eduardo Andrade Teixeira, Michel Calixto Daoud, Anderson de Pádua Pinto Filho (suplentes).
 
Este terceiro conselho caracteriza-se por espírito eminentemente crítico. Empreende grandes debates. O processo de construção de uma ouvidoria adequada a um grande grupo de comunicação não pode mesmo ser pacífico e previsível. À sua maneira, cada um dos grupos ensina, aprende, contribui e torna nossa responsabilidade de produzir jornalismo sério, uma grande odisséia. Melhor assim. Lutas sem sofrimento valem pouco. E alegrias acontecem quando a dor é substituída pela alegria do dever cumprido com consciência e verdade.

Veja o quadro abaixo: