10 de julho de 2026

Sindicatos culpam leis por avanço da mecanização


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PERDENDO O LUGAR - Catador de café em fazenda da região; cena pode se tornar cada vez mais rara com o avanço da mecanização da colheita

O baiano Antônio Cardoso, 60, chegou a Ibiraci (MG) há 16 anos, após saber que a região era uma grande produtora de café e a contratação de trabalhadores rurais estava em alta. Não teve dificuldade em conseguir emprego em fazendas produtoras de café. Neste ano, Baiano, como é conhecido, não será visto nas plantações de café. Ele trabalhou na limpeza de lavouras, mas não conseguiu vaga como catador. Para Baiano, a colheita mecanizada tem contribuído para a redução dos postos de trabalho. Como tem de sustentar a casa, vai trabalhar como roçador e pintor.


Antônio Cardoso é apenas um entre tantos catadores de café que estão perdendo espaço para a máquina. Andréia de Fátima da Silva, diretora regional da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais, não sabe dizer o que está acontecendo com estes trabalhadores, prefere analisar os motivos que levaram os cafeicultores a substituir o catador pela colheitadeira. Para ela, as exigências do Ministério do Trabalho feitas ao cafeicultor na hora de contratar a mão de obra são as principais responsáveis pela entrada das máquinas. “Seguir todas as determinações representa um custo muito alto para o cafeicultor. Por isso, muitos preferem colher com a máquina para ter um gasto menor”.


Andréia Silva está falando da NR-31 (Normas Regulamentadoras) do Ministério do Trabalho e Emprego, que entrou em vigor em 2005 com o objetivo de proporcionar mais qualidade de vida aos trabalhadores rurais. Entre as exigências feitas estão a implantação de sanitários, instalação de mesas e cadeiras para alimentação, fornecimento de equipamento de proteção e registro dos trabalhadores antes de eles saírem da cidade onde residem. “Estamos sempre discutindo com os produtores a melhor forma de aplicar a NR-31. Nem tudo é cobrado, mas evidentemente que existem as normas básicas”, disse o delegado do Trabalho em Franca, Jamil Leonardi, que acredita que a entrada das máquinas é uma consequência natural.


O presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Pedregulho, Sandro Marco de Carlo, está preocupado. “Estou até pensando em implantar cursos de requalificação para os trabalhadores não perderem tanto espaço no campo”.