09 de julho de 2026

‘Mulher deveria acordar de salto alto’


| Tempo de leitura: 7 min
‘CHIC’ - O “arquiteto dos calçados” Fernando Pires com um de seus modelos de saltos altíssimos: na tentativa de criar um estilo mais comercial, lançou a marca Fernando Pires Chic que tem saltos mais baixos

Cristais, brilho, couro, saltos altíssimos, design exclusivo, mão de obra artesanal e um nome que causa frisson em todas as mulheres: Fernando Pires. Aos 56 anos, o “arquiteto dos calçados”, que é arquiteto por formação, aguça nas mulheres o sonho de rechear o closet com seus pares de sapatos. Assim como Christian Louboutin (estilista das estrelas de Hollywood) é conhecido por suas solas vermelhas, Pires tem como principal marca seus saltos altíssimos. “A mulher deveria acordar de salto alto”, exclama. Outra marca de seus calçados são as aplicações em cristais. Uma mostra é um dos modelos que o arquiteto expôs na 42ª Francal, um clássico da marca, feito com 28 metros de pedrarias e custa R$ 3 mil para o consumidor final.


Pires conta 28 anos de profissão e 20 só da marca que leva o seu nome, criada no inverno de 1990. Ele veste pés de estrelas como Hebe Camargo, Cláudia Raia, Cláudia Leitte, Suzana Vieira e uma constelação incontável de celebridades brasileiras e internacionais. “Faço muito apoio a teatro e filmes. Então acabo calçando muitas celebridades, não saberia quantificar”, diz.
Mas ele queria mais. Queria atingir um público que não parecia ser seu.


Queria também ganhar mais dinheiro. Então, lançou, em dezembro de 2009, a marca Fernando Pires Chic, voltada para mulheres com menor poder aquisitivo que o público de sua primeira linha. Trata-se de algo mais comercial, para vender.


Na segunda linha, de acordo com Pires, os preços variam entre R$ 60 e R$ 350. Já o preço médio dos calçados da primeira linha é R$ 750.


Sua fábrica fica em São Vicente, cidade onde nasceu, e emprega apenas 19 pessoas que, “com muito sacrifício e muita hora extra conseguem fazer cerca de mil pares por mês”, nas palavras do empresário que passa no local três dias da semana. Lá, como cá, há o drama da escassez da mão de obra. “Eles são artesãos. É gente que não se encontra mais. Vão morrendo e não aparecem profissionais para substituí-los. É uma espécie em extinção”, afirma.


Já a linha Chic é produzida no Rio Grande do Sul, subdividida em três fábricas que ficam na região de Igrejinha.


Na Francal ele montou um estande com o objetivo maior de divulgar esta segunda linha. Quase se arrependeu. “Vi que os calçados da primeira linha estava ofuscando a segunda. O espaço ficava lotado, mas com muita gente que queria ver o sapato Fernando Pires de perto, pegar, nem sempre comprar”.


Mas não era só o Fernando Pires “sapato” que elas queriam ver. Queriam também o Fernando Pires “pessoa”. “Até tínhamos uma noção de quantas fotos estava tirando, mas depois perdemos a conta”, diz. Confira a entrevista que o “arquiteto dos calçados” concedeu ao GCN Comunicação.

 

Comércio da Franca - Qual a característica mais forte de seus calçados e quais as diferenças entre as linhas Fernando Pires e Fernando Pires Chic?
Fernando Pires -
Da primeira linha, salto alto sempre. É sedução. É fetiche. São sapatos feitos a mão, prezando a arte. Prezamos o conceito, sem preocupação com o comercial. Nesta primeira linha, é oito ou oitenta. Praticamente não há sapatos baixos, mas quando tem, eles não são nada básicos, não há nada de simples, como rasteirinhas. São carregados de pedras, de strass, de cristais. As solas são sempre mais limpas ou naturais. Na linha Fernando Pires Chic aparecem saltos menores. A proposta é que seja um sapato mais comercial e menos “sapato-arte”. Quanto à sola, na linha comercial fazemos essa brincadeira de profusão de cores na sola, ela vem mais colorida algumas vezes. São calçados que as pessoas podem usar independente de ser um evento ou festa.