Reza o ditado popular que o melhor da viagem é o percurso. Se na África do Sul muitos dos destinos valem a pena, há um caminho que, por si só, já justifica uma longa viagem de carro. Saindo de Port Elizabeth rumo à Cidade do Cabo, pela rodovia N2, os desbravadores encontram paragens incríveis que trazem, a cada quilômetro rodado, imagens dignas de porta-retrato. Em meio aos mais de 700 quilômetros percorridos pela reportagem entre as duas cidades, que foram sede de jogos da Copa, tivemos a oportunidade de trafegar pela estonteante Garden Route, ou, em tradução livre, Rota do Jardim.
Marcado por uma diversidade de flores e arbustos, entre formações montanhosas e o Oceano Índico, o trajeto está localizado na província de Western Cape e tem um clima oceânico, com temperaturas de até 28 graus. Além disso, a Garden Route é conhecida pelo grande número de opções de entretenimento, como os 15 campos de golfe e atrações turísticas naturais. Pelo caminho, encontramos muitas fazendas com criação de gado e vinícolas, além de babuínos andando pelo acostamento e muitas opções de acomodação para parar a qualquer momento. De um modo geral, a rodovia é de pista simples e sem pedágio. Como o caminho é muito bonito, recomenda-se, claro, que os motoristas façam-no durante o dia - à noite o trajeto fica perigoso por conta das curvas e da ausência de luminosidade.
A primeira parte da rota percorrida pela reportagem - concluída em dois dias - contou com uma passagem pela grande Storms River Bridge, local histórico com uma vista maravilhosa para um desfiladeiro de pedras, e pela ponte que abriga o maior bungee jump do mundo - com 216 metros de queda e que costuma estar lotado. A região abriga o Tsitsikamma National Park, com muitos passeios ecológicos.
O bucólico e o pitoresco andam com o motorista nessa viagem. Além das praias, lagoas, montanhas, pontes e florestas, os viajantes conhecem o cotidiano tranqüilo de cidades menores da África do Sul e das comunidades que a cercam, como Plettenburg Bay, Mossel Bay e Knysna, que dá lugar a um grande festival de ostras e fica de frente para um lago. Foi ali que vimos famílias fazendo um típico ‘braai’ (churrasco, em africâner) em um gramado aberto, em um ambiente muito pacato. Logo em seguida, paramos para dormir em George, cidade com pouco mais de 200 mil habitantes que é a maior da rota. Em 90 quilômetros a caminho da pequena Oudtshoorn, conhecemos também a caverna de Cango Caves, a maior da África do Sul.
Mais à noite, em uma pequena cidade a 100 quilômetros da Cidade do Cabo, ainda vivemos uma emoção inesperada. Um policial nos parou pedindo os documentos. Ainda bem que eu estava com minha carteira de habilitação internacional. Ele disse que eu tinha passado direto por um “Pare” e dirigido acima da velocidade permitida na localidade, que é de 60 quilômetros por hora. Após receber um sermão - “você tem que respeitar as leis do nosso país” - fomos liberados, mas ficou o alerta: exuberância do cenário à parte, jamais descuide do caminho, mesmo quando se está na Rota do Jardim.