Não importa a maneira como as notícias produzidas pelo GCN chegam ao público. Seja pelo jornal Comércio da Franca, seja pela internet, em sua edição online, seja pelas ondas da Difusora, um fato é confirmado: elas causam reações instantâneas e, numa era de leitores, internautas e ouvintes extremamente interativos, essas reações se tornam peça fundamental em todas as etapas de produção do jornalismo praticado pelo grupo.
A rádio, tradicionalmente, recebe dezenas de ligações e participações de ouvintes por dia. “É uma troca diária. O ouvinte, por exemplo, liga para reclamar de algo e automaticamente isso pode virar uma pauta. Também há muita gente que liga para pedir ajuda, ou para ajudar alguém que solicitou auxílio. O fato é que o contato com o ouvinte é muito próximo, diário e permanente”, disse Cíntia Flávia, coordenadora de jornalismo, produtora e locutora da rádio. O jornal, há tempos, deixou de ser apenas um meio para manter as pessoas informadas e se tornou, com a facilidade de interação propiciada pela internet, um canal para os leitores manifestarem suas opiniões, sugerirem reportagens, abordagens diferentes e debaterem assuntos. O Comércio não passa um dia sem receber comentários sobre o que publicou em suas edições. Entre os comentários enviados por e-mails e os feitos diretamente no site, o jornal recebe em média 160 mensagens por dia. A grande maioria chega pela internet. Pouquíssimas são enviadas em cartas de papel. As opiniões manifestadas são sobre as matérias publicadas em todas as editorias de polícia a esporte, de local a artes, e também passam Objetiva e artigos dos colaboradores.
Para alguns leitores, expor suas impressões sobre os assuntos, apontar erros, comentar as abordagens ou os próprios comentários de outras pessoas sobre as notícias, é uma rotina. Cerca de 50 leitores escrevem para o Comércio com frequência. Além deles, centenas de outros leitores e internautas usam o espaço criado justamente para isso para discutir, debater, criticar, sugerir.
A publicação de determinados alguns assuntos pode transformar o espaço do leitor em um palco de debates calorosos. Um bom exemplo é a cobertura do caso do Padre José Afonso Dé. O religioso de 75 anos, alvo de denúncias por parte de vários adolescentes, foi indiciado por estupro. Desde a primeira reportagem, publicada em 25 de março de 2010, foram registrados dezenas de comentários no site das mais diferentes motivações. Leitores lamentaram o fato, desejaram punição ou expressaram dúvida a respeito das denúncias de abuso feitas por adolescentes menores de 16 anos, que eram ajudantes do sacerdote na Paróquia São Vicente de Paulo.
Outro fato que estimulou debates foi a determinação do Ministério Público para que os bolotas removessem os trailers das áreas públicas e as mesas e cadeiras fossem retiradas das calçadas pelos donos de bares e restaurantes em Franca. Foi uma chuva de manifestações por e-mails e comentários postados diretamente no site.
Em jornalismo, essas manifestações são importantes feed backs para repórteres, editores e diretores. Muitas críticas feitas a abordagens de matérias são duras e nem sempre são bem digeridas, mas não restam dúvidas de que são importantes, uma bússola para nortear o trabalho jornalístico de um veículo que chegou aos 95 anos neste ano. “O leitor tem a possibilidade de dizer o que pensa e ele diz com todas as letras. Se acha que faltou algo, cobra duramente. É uma relação de amor e ódio. Mas reconhecemos que é um termômetro que nos mostra que as matérias tocam as pessoas, que se sentem no dever de se manifestar”, disse Luiz Neto, editor de opinião do GCN Comunicação.