08 de julho de 2026

Batuta dos batutas


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Premiou-me a vida feliz que vivo com uma noite de estrelas. Não foi o acaso colocando em meu caminho uma noite de arte e fé. Foi a evolução cultural de uma cidade por tantos anos na inércia passível do atraso e união para castrar ideias evolutivas, quando alheias. Foi também o desejo que sempre alimentei de incentivar o crescimento da arte, do amor, com igualdade das pessoas. Depois de muito tempo e gradual processo, posso vibrar eloquente com o estágio da cultura a que chegamos. Vencer a estagnação conservadora era necessário para evitar manter-nos ancorados em porto sem luz e futuro.


Uma linda comemoração ocorrida na última quinta-feira, acariciou a alma da população fortalecendo na sociedade a crença e amor à arte. A Catedral de Nossa Senhora da Conceição recebeu em sua nave para o Santo Ofício da Missa Solene em homenagem aos padres da Diocese por ocasião do encerramento do ano sacerdotal. Nos momentos que antecediam o ato religioso, seu oficiante – o bispo diocesano Dom Luiz Pedro Stringhini – circulava pela igreja em sua plena simpatia, coberto pelo solidéu, e revelava ampla humildade, recebendo cumprimentos de fiéis.


Ao iniciar-se a solenidade, destacou-se a entrada de toda a grei diocesana sob regência de seu instrumento maior, o Báculo – cajado –, insígnia usada pelo Bispo para demarcar o território de sua regência espiritual. Fiéis vivenciaram a beleza de uma celebração, onde contritos foram instados a rezar pelos padres no sentido de bem cumprir sua sagrada missão evangélica.


Dando sequência à excepcional noite de gala, uma récita de alto conteúdo cultural provocou enlevo dos presentes com a Orquestra Sinfônica de Franca. Esforço da imaginação e empenho de uma juventude francana, ela vem enriquecendo nossos costumes culturais através de uma erudição musical invejável. Alguns destaques de vozes foram registrados pela soprano Priscila Cubero e o tenor Saulo Couto interpretando W.A. Mozart, P. Mascagni, F. Schubert e C.F. Gounoud.


Dividindo conosco a cidadania, Nazir Bittar Filho, depois de largas experiências em erudição no campo musical, incluindo em seu berço de aprendizado a Alemanha, assumiu a regência de uma sinfônica para coroá-la com aplausos da comunidade. Sua linguagem com instrumentistas se processa clara como o é entre os bons maestros. Seus movimentos de mãos e braços são perfeita complementação de frases a promover entendimento pleno da sensibilidade.


Segundo o maestro Emanuel Martinez: “ A regência não é só marcar compassos, e sim um conjunto de ciências. Mesmo nas melhores orquestras do mundo, aquelas que poderiam tocar sozinhas, por tão precisas, é necessário a batuta de um maestro para dar o “sopro divino” que cria a alma e origina a vida da musica”. Obrigado Dom Pedro Luiz e Maestro Nazir Bittar Filho, pela noite de estrelas: batutas na batuta.

 

Garcia Netto
Jornalista