Os agentes da Defesa Civil Maicon Éder, 29, e Cairo Brandão, 31, iniciaram o último plantão às 19 horas de domingo. Na primeira hora da madrugada se depararam com a morte de um homem de 42 anos, que sofreu uma parada cardíaca. Os socorristas tentaram reanimá-lo, mas o paciente não resistiu. Horas depois foram acionados para uma ocorrência oposta: o nascimento de uma criança em casa.
Quando foram acionados pelo rádio da viatura, às 3h45, Cairo e Maicon não imaginaram a cena que encontrariam. Os dois haviam acabado de deixar um bebê de um mês no Pronto Socorro Infantil por estar com dores no corpo e precisaram seguir para uma residência na Zona Norte da cidade. Ao chegarem ao endereço, encontraram uma casa humilde, cercada por pedaços de madeira. Familiares da mãe, que tem 39 anos, esperavam pelo socorro. Ela estava no banheiro, sozinha, em trabalho de parto. Quando abriram a porta do pequeno cômodo se depararam com a mulher no chão, ao lado de sangue, tentando amparar a criança num cobertor colocado entre as pernas. “Chegamos e vimos a criança terminando de sair. Só faltavam os pés dela para sair, aí a gente veio amparando junto do colo da mãe. A família estava um pouco assustada porque é uma situação inusitada. Ninguém espera uma criança nascendo na própria residência. O pessoal ficou muito preocupado”, disse o socorrista Maicon, que sonhava atender a esse tipo de ocorrência (leia mais no site).
Apesar de prematura, a bebê, de 2,540 quilos, passa bem. Após nascer, os agentes da Defesa Civil tentaram cortar o cordão umbilical, mas a bebê começou a chorar e agarrou no dedo de Cairo. “Parece que ela não queria deixar a mãe. O cordão estava ligado à placenta que ainda estava dentro da mãe. Esperamos a mãe expelir a placenta e seguimos para a Santa Casa com as duas, que estão super bem”, disse Cairo. Os socorristas não cortaram o cordão. Maicon transportou a bebê com o cordão ainda ligado à placenta. “Segurei a criança sobre um cobertor e uma toalha com a placenta e tudo até o hospital”.
HOMENAGEM
A nenê é a quinta filha na família. Os irmãos têm 22, 16, 10 e 4 anos de idade. O parto foi prematuro, de sete meses. A mãe não tinha nem escolhido o nome para a criança. A missão ficou para Cairo e Maicon, que ontem foram visitar as duas na Santa Casa e atenderam ao pedido da mãe para “batizar” sua filha caçula. Cairo sugeriu Isabela, nome de sua filha de três meses, e Maicon quis Vitória pelas circunstâncias do parto. Como a mãe já tem uma sobrinha chamada Isabela, escolheu registrar a filha como Isabele Vitória.
Acompanhados pelos companheiros de profissão Infante e Nami, os socorristas presentearam mãe e filha com fraldas, lenços umedecidos, uma bolsa e sabonete. Os dois querem mais experiências emocionantes como a da madrugada de ontem. “Estamos dispostos a fazer um, dois, três, quantos partos tivermos por dia. Não importa o número, estamos preparados para essa situação”, disse Cairo. “É muito emocionante. A gente arrepia, só sente as lágrimas escorrendo pelo rosto”.
A mãe deve ter alta do hospital hoje. Ela e os familiares não quiseram dar entrevistas sobre o caso.