09 de julho de 2026

Futebol além da Copa do Mundo


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Times do Manchester (vermelho) e Brasil em jogo amador

Podem até dizer que a África do Sul é o país do rúgbi. Mas quando se entra em comunidades pobres como uma favela de Plettenburg Bay é que se ratifica a vibração que causa o esporte de Pelé na vida dos sul-africanos. Só assim se consegue entender que o frustrado sonho dos Bafana Bafana no Mundial da Fifa, que não passou da primeira fase, não é um absurdo. O futebol é sim uma modalidade querida por aqui.


Eram mais de 16 horas de domingo. Ao lado da Rodovia N2, que vai até Cidade do Cabo, a reportagem do GCN viu uma cena familiar. Uma partida de futebol entre dois times locais, uma típica movimentação de várzea. Entramos para ver. Pelo fato de o acesso ao campo estar cercado por grandes grades, tivemos que utilizar um estreito e esburacado pedaço de terra até chegar lá.


Para quebrar o gelo, já cheguei me apresentando e perguntando quanto estava a partida, já no 2º tempo, entre 22 rapazes com idade entre 18 e 22 anos. O resultado até então era de 4 a 2 para o Manchester, de vermelho, contra o Brasil, de amarelo. Isso porque o Manchester tinha jogado todo o 1º tempo tendo a seu favor a inclinação do terreno. Na 2ª etapa, o Brasil empatou e levou para a decisão dos pênaltis. O Manchester saiu vencedor.


O público da partida era de moradores da favela, que segundo fontes locais têm mais de 50 mil habitantes. Na plateia, também havia dezenas de crianças brincando com suas bolas de tênis, para fazer embaixadas. Até cachorro e galinha resolveram parar para assistir.


O pedaço de Plettenburg Bay visitado por nós não era uma township como Soweto, em Joanesburgo, e Khayelitsha, na Cidade do Cabo. É incomparavelmente menor, surgida na década de 1980, e um local que aproxima a realidade sul-africana com o Brasil. A pobreza está ali, ao lado da rodovia, enquanto se vê no horizonte, não tão longe assim, um condomínio de casas de alto padrão. O contraste aqui está frente a frente, só esperando para ser visto.