Atraídos pela prosperidade econômica e pela institucionalização da democracia na África do Sul desde os anos 1990, imigrantes de diferentes países do continente acabam indo buscar melhores condições de vida na terra de Nelson Mandela. Integrando 10% da população do país - entre legais e ilegais -, encontram no trabalho informal a saída mais rápida para o desemprego.
É gente de países subdesenvolvidos como Camarões, Congo, Malawi, Moçambique, Nigéria, Zimbábue arriscando-se em diferentes ofícios e enfrentando o ressentimento do país do apartheid - nos últimos anos, a xenofobia dos sul-africanos já desencadeou vários episódios em que imigrantes foram agredidos e sofreram tentativas de expulsão.
Dos que não conseguem trabalho formal, muitos estão no Green Market Square, na Cidade do Cabo. Tradicional endereço com cerca de 200 lojinhas de artesanato, endereço reúne muitos imigrantes. “Vim para a África do Sul em busca do dinheiro”, afirmou o artesão Eddiy Khnmuto, 25 anos, há dez anos no Green Market. O vendedor, que confecciona tambores em diferentes tamanhos a partir de 250 randes (R$ 57,35) e máscaras a 300 randes (R$ 68,82), veio do Malawi - país localizado na África Oriental com população de 14 milhões de habitantes.
Enquanto isso, a quilômetros dali, seu compatriota Enos, 52, tenta a sorte em uma vinícola de Stellenbosch. Enos passa horas esculpindo na madeira representações de leões, búfalos e girafas. Os preços chegam até 1000 randes (R$ 229,4). O artista vive na África do Sul desde 1981.
“Se a África do Sul precisar da ajuda dos outros países africanos, num futuro próximo, não vai ter’, sentencia o moçambicano Chicco Mandhlazi, 31 anos, que faz estampas especiais em camisetas. Ele trabalhou durante a Copa como guia turístico em Soweto, onde vive há 15 anos em uma shack (cabana de zinco sem banheiro). Chicco perdeu a mãe recentemente, mas ainda não tem dinheiro suficiente para voltar a seu país e velar o corpo dela.