Numa importante avenida em Port Elizabeth ou Durban, em uma vinícola próxima à Cidade do Cabo ou em um grande cruzamento em Joanesburgo. O trabalho informal está espalhado pelo país da Copa do Mundo.
O maior evento futebolístico do planeta tem deixado esse setor ainda mais movimentado. E os vendedores vão desde imigrantes que buscam uma vida melhor na África do Sul. quanto os próprios sul-africanos, que vêem no Mundial da Fifa uma oportunidade única.
Algo que se traduz em muita criatividade: venda de roupas - inclusive camisas de seleções a preços bem abaixo do esperado -, acessórios, artesanato, jornais, apresentações musicais e demonstração de diferentes habilidades artísticas.
Os torcedores brasileiros ainda estavam bastante agitados no calçadão da First Avenue, em Port Elizabeth, em frente ao The Bordwalk, um complexo de entretenimento com restaurantes, músicos locais e cassino. Aproveitando a grande concentração de pessoas para a partida das quartas-de-final - que logo mais o Brasil perderia para a Holanda -, estavam ambulantes oferecendo diferentes produtos.
Bandeiras a 30 randes (R$ 6,89), vuvuzelas e chapéus amarelos a 50 randes (R$ 11,47). Ofertando esses artigos, o autônomo sul-africano Kenneth, 23, quase não concedeu entrevista. Disse que estava muito ocupado tentando achar clientes. “Trabalho para meu irmão. Comecei o negócio no início da Copa do Mundo”, disse, estimando que esteja recebendo por dia em média 500 randes (R$ 114,70).
Trabalhando na mesma região tinha até um universitário. Tshidino, 21 anos, estudante de Tecnologia da Informação na Universidade Metropolitana Nelson Mandela, de Port Elizabeth, tinha começado a atividade de ambulante naquele dia.
Ele vendia cachecóis bordados com as cores da África do Sul a 40 randes (R$ 9,17), protetores de celulares em forma de camisetas a 20 randes (R$ 4,60) e chaveiros por 10 randes (R$ 2,3).
“Comecei agora por causa do jogo do Brasil contra a Holanda”, afirmou. Quanto à realização da Copa na África, ele ficou meio dividido. “Por um lado é bom, por outro não. O que é bom tem a ver com as oportunidades e com a infraestrutura do país”, opinou, titubeando para criticar o que viu de negativo até agora.
Enquanto isso, a Waterfront, na Cidade do Cabo, centraliza outro tipo de trabalhadores informais. Em vez de acessórios e artesanato, a atividade que mais se destaca no ponto turístico é a música.
Longe da agitação da Waterfront, em uma avenida de Rondebosch, na cidade de Joanesburgo, encontramos Benjamin Mshutuany, 48 anos, portando pequenas bandeiras de várias nacionalidades. Antes de conseguir vender qualquer coisa, primeiro ele precisava vencer a desconfiança dos motoristas, sempre com os vidros fechados.
O trabalho foi uma alternativa para incrementar sua escassa renda, que normalmente vem da coleta de lixo reciclável. Morador de Khayelitsha e com uma esperança que comove, Benjamin tem que sustentar a mulher e os três filhos com absurdos 800 randes (R$ 184) por mês. Mas a atividade não estava ajudando muito. Quando conversamos com ele, o sul-africano tinha conseguido lucrar apenas 50 randes.