08 de julho de 2026

Reconhecer é preciso


| Tempo de leitura: 4 min

Sabe aquelas ocasiões em que tudo falha? Momentos de extrema pressão, nas quais você precisa tomar decisões rápidas e nada decola, esfarinha-se, mesmo escorado em premissas reais? Passei por um desses momentos.

Você programa, com base no tempo disponível. Fatora o problema em seus componentes básicos. Empreende gestão profissional sobre cada parte, dimensiona caminhos, prospecta oportunidades, decide-se por uma conduta. Busca recursos humanos. Divide tarefas segundo a potencialidade de cada indivíduo do grupo no qual confia. Vai para o campo.


Descrita assim, a melhor solução para um desafio de ordem gerencial torna-se quase palpável. Não vale, no entanto, para causas pessoais. Só no limite da dificuldade humana é que você descobre que não há solução gerencial, fria, lógica ou matemática para problemas pessoais.


O principal é que você, imerso no dia a dia de trabalho, deixa de conviver com quem gosta, com quem gosta de você. Neste mundo de hoje, tempo do “quem gosta de mim sou eu mesmo”, as relações interpessoais insistem em viver por um fio. Pessoas são icebergs, frios e individuais. Compêndios de psicologia – pasmem! – ensinam a confiar, desconfiando. O fio de bigode – figura de outros tempos para confiança, comprometimento e preocupação com ética e moral – foi raspado. Se o indivíduo optar por deixá-lo no rosto será reconhecido neste planetinha individualista que nos tornamos, como um fraco. Perdemos o olhar capaz de identificar gente com quem se pode contar. E perdemos o critério para identificar com sabedoria. Quer fazer uma experiência simples?


Olhe para o lado. Vasculhe. Prospecte. Tente encontrar alguém com capacidade – e comiseração, que o mundo moderno chama de empatia – de ouvir o que você tem a contar. Achou alguém? Parabéns por esse trevo de quatro folhas. Trate com deferência, respeito e carinho. Almas do tipo devem ser preservadas sob redoma.


O simples saber ouvir sem pressa ou sem aconselhar define indivíduos importantes para a evolução da raça humana, esse misto de emoções, dúvidas, sangue quente, decisões intempestivas. Quem ouve, ajuda. Permite que o exaltado se acalme; que o desesperado se reerga.


Se continuar a experiência, pode tentar contar quantos amigos de verdade conseguiu fazer em seu ambiente de trabalho. E em quantos perdeu fora do local onde trabalha, por “absoluta falta de tempo de vê-los, ouvi-los, exercitar a boa relação de outros tempos”. Quantos fez e de quantos se lembrou? Um no trabalho? Vários fora? Perder é mais fácil que encontrar, realmente.


Amigo de verdade é a raridade das raridades. Está em extinção. Por definição, amigo é aquele que chora junto, tira a camisa para agasalhá-lo, não come se percebe que você precisa mais do alimento que ele, “sabe” se você não está bem só de observá-lo, mesmo que seja à distância. Alguém disse que ter amigo de verdade é tão difícil que você pode contar os que tem nos dedos de uma só mão; e sobra “muito” dedo...


Por estas razões, quis fazer hoje, aqui, uma ode ao amigo, ressaltando-os como gente especial, almas evoluídas dentre bilhões que se degladiam neste mundo louco. Cito nominalmente Acir Matos Gomes, Everton Lima, José Moacir Pelizaro e Normando Antônio Paim que me ajudaram na busca de paz de espírito capaz de proporcionar tranquilidade a pessoas que quero bem e não suportava mais ver sofrer. Estes, que cito, são pessoas grandiosas, capazes de abrir mão de projetos pessoais, para apoiar. E são pessoas que não gostam que uma das mãos saiba o que a outra fez. Mesmo sabendo disso, decidi-me por agradecer publicamente. Quando a gente conta, estimula a outros. Através deste reconhecimento também exponho minha esperança pessoal de que espíritos corrompidos e obcecados pelo “ter’ sintam-se cobrados a repensar o “ser’.


Então, é isso. Aos amigos – mas só aos de verdade, aqueles que ouvem e, preocupados, tornam-se parte das soluções – tudo. Aos que mudam fechaduras para que até os “seus” próprios permaneçam de fora, as batatas.

 

DEFINIÇÃO DE MILAGRE
Quando seus caminhos tornarem-se repletos de obstáculos, quando as forças lhe faltarem e não houver água à vista e esperança alguma, não desista. Na última das últimas horas, se você guerreou, ofereceu-se à luta, quem observou vai aparecer. A amizade, confesso pela rica experiência pessoal que acabo de passar, Deus ofereceu-me como prova incontestável de sua existência. Precisamos estar atentos para ouvi-lo e para poder compreender que ele se manifesta através das pessoas.


SINFÔNICA
Dois pais que integram a nova diretoria da Orquestra Sinfônica de Franca destacaram, no dia da posse da nova presidente Lúcia Garcetti, o valor do trabalho de Júnior Barduco no início - difícil - da estruturação da corporação musical. Acompanhei a determinação do moço naquela ocasião. O reconhecimento prestado a ele foi mais do que devido. Antes tarde do que nunca.


POR ÚLTIMO
Sem representação em São Paulo e Brasília, podemos menos. Então, respondam-me: há votos para todos esses que se acham em condições de serem deputados estaduais e federais apesar da matemática e da estatística afirmarem o contrário? E, ainda pior: existem eleitores conscientes, capazes de perceber o que as vaidades partidárias e pessoais querem nos enfiar pela goela abaixo?  Pena. Acabaremos, considerando-se as duas respostas “não” que deveríamos ouvir,  por contrariar a máxima que diz que vale mais um pássaro na mão do que dois voando...

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br