08 de julho de 2026

Sementes orgânicas


| Tempo de leitura: 2 min

A sociedade atual tem presenciado uma mudança (pelo menos, a tentativa) extrema nos hábitos alimentares que, de certa forma, está ligada aos conceitos mais modernos de sustentabilidade, de proteção ambiental e, principalmente, de qualidade de vida. Esse processo em curso tem seu lado romântico e idealista e, sem dúvida, é de difícil execução pois os interesses envolvidos são muitos e, em diversos momentos, antagônicos.


É o que ocorre com a questão dos alimentos orgânicos versus alimentos geneticamente modificados. O fato é que para um alimento ser considerado orgânico, o seu insumo (leia-se: sementes) necessita ser, também, orgânico. Infelizmente isso não ocorre na grande maioria dos alimentos que consumimos. Esse assunto começou a ser tratado com a regulamentação da Lei dos Orgânicos, que estabelece padrões e normas técnicas para a produção orgânica. Preocupação ou não preocupação com as sementes na caracterização do produto orgânico é relevante na medida em que informações técnicas comprovam que para se ter uma semente totalmente sem elementos químicos seria necessário, pelo menos, sete gerações da sua reprodução. Só assim ocorreria a ‘purificação’ da semente convencional tratada com defensivos agrícolas.


Portanto, essa é uma contradição gritante da alimentação natural e saudável. Infelizmente trabalhamos com informações e conceitos incompletos quando estabelecemos nosso estilo de vida e as nossas opções comportamentais. A realidade é que na maioria absoluta das vezes, compramos produtos classificados como orgânicos, mas no início da sua cadeia produtiva, as sementes são convencionais, ou seja, tratadas quimicamente ou geneticamente modificadas. As estatísticas comprovam e apresentam um quadro longe de ser solucionado ou melhorado para a sociedade. As sementes orgânicas nem entram nos indicadores de produção e não se tem dados do tamanho do mercado delas.


A Lei dos Orgânicos (10.831 de 23/12/2003) tem sido paulatinamente regulamentada através de diversos textos. A partir de dezembro de 2013 será proibida a utilização de sementes convencionais nas culturas orgânicas no Brasil. Talvez, se houver efetiva fiscalização técnica, poderemos ter certeza de que estaremos - aqueles que assim desejarem - consumindo um produto totalmente orgânico.


Há informações de que alguns produtores de sementes já estão se mexendo para garantir a tão necessária ‘purificação’ das suas matrizes e, assim, a produção das sementes orgânicas. A certificação dos produtos orgânicos deverá ser mais dura, seguindo padrões da Europa que possui uma normatização mais completa e rígida. Será um importante avanço na contribuição do fortalecimento daqueles conceitos do politicamente correto que já citei e tão em moda.


Entretanto, dizem que não há razão para desespero. Muitos defendem que os alimentos cultivados de forma orgânica, mesmo que a partir de sementes que levaram algum tratamento químico, são mais saudáveis do que os produzidos com adubos e defensivos químicos. Tomara!

 

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário