“A minha vida”. Frase simples, sintética, mas cheia de sentido, com a qual o diretor artístico da Rádio Difusora AM de Franca (1030 Khz), Everton Lima, 51 anos de idade e 41 de profissão, define seu trabalho na emissora.
É o amor pelo rádio, pelo AM, pela 1030. Lima e Difusora se espelham e um reflete o outro. E há muito tempo... “Não fiz outra coisa, só rádio mesmo. Respiro rádio, vivo rádio”, diz. Em um tempo em que trabalhar na pré-adolescência não era crime, os dedos do menino moreno de nove anos controlavam a aparelhagem da técnica de som. “Na época (década de 60) podia”, explica.
Ele cresceu, e seu talento para a rádio também. Trabalhar só na técnica já não o satisfazia Aos 16 anos todo seu potencial passou a ser exteriorizado através da voz, em reportagens. Com 17, começou a apresentar programas musicais e de entretenimento. “Tive a oportunidade de ter um programa meu e aí não parei mais. Era meia hora e depois passou para duas horas”, diz, sempre com o sorriso no rosto.
Hoje, os dedinhos do menino da técnica dos anos 60 seguram a batuta que rege tudo que vai para o ar pelos 1030. E também o microfone - continua locutor/apresentador. Mas, para ele, o que mudou? “Mudou tudo daquela época para agora. A valorização do profissional é uma coisa que a gente lutou sempre. Antigamente dono de rádio já considerava pagamento ‘deixar’ a gente fazer rádio. Diziam ‘você está aparecendo lá’. Hoje é tudo bem profissional; o que você faz é reconhecido pela empresa; a infraestrutura que a gente tem para trabalhar, são equipamentos de última geração. Eu fiz parte de várias gerações então quando olho isso aqui hoje, eu me emociono”, disse.
Atualmente Lima comanda dois programas diários. Quem acorda cedo tem o privilégio de escutar, às 6 horas, o seu “bom dia” inconfundível no Jornal da Manhã. São duas horas de muita informação agregada a comentários de um sério e comprometido jornalista. Mais tarde, às 13 horas, a irreverência e o bom humor acompanham o versátil Lima no programa Rádio Cidade. Especialmente se o Palmeiras tiver ganhado. Dá para sentir na voz. Aliás, a voz, claro, é o principal refletor da alma do radialista. “Para mim, o melhor é quando estou no ar. A cumplicidade que se cria com o ouvinte é o lado bom da coisa. O rádio AM tem isso. É o momento de relax que tenho, um momento de descanso. Na comunicação com os ouvintes dou tudo de mim. É um momento em que esqueço tudo quanto é tipo de problema, me concentro só naquilo”.
Se ele pensa em aposentar ou parar? “Nenhum dos dois. Já poderia até pedir (aposentadoria por tempo de serviço), mas não quero, está bom, estou começando agora e vou em frente. Se puder morrer na frente do microfone, está tudo certo”, disse.
UM NOVO TEMPO
Mergulhado nas mudanças tecnológicas que invadiram o mundo e, também, o rádio nos últimos anos, Lima diz viver um recomeço desde que a Rádio Difusora passou para o comando da família Corrêa Neves e houve a integração com o Comércio da Franca, em meados de 2005. Transmissões audaciosas, incluindo coberturas internacionais, investimentos na parte técnica, profissionais mais qualificados. Uma transformação que chegou quando ele já contava quase quatro décadas de rádio.
“Essa integração me fez começar de novo. Sempre amei, sempre lutei pelo rádio e digo que estou começando de novo com uma garra e uma vontade que fazem parecer que estou com 18 aninhos, estreando no rádio”, afirmou o radialista.
Um começar de novo de um jeito novo, em todos os sentidos profissional e pessoal. “Em cinco anos que o Júnior (Corrêa Neves Júnior, diretor executivo do GCN Comunicação) assu miu essa rádio, fiz duas viagens internacionais. Fui duas vezes à feira de radiodifusão que acontece em Las Vegas, nos Estados Unidos. Quando que eu ia pensar nisso? Nunca pensei em sair nem de São Paulo para participar de congresso”, diz, soltando a sua gostosa e característica gargalhada. Ele faz questão de contar, inclusive, que viveu nessa viagem uma das maiores emoções de sua vida. “Passamos alguns dias em Nova York e, num desses dias no quarto do hotel, ouvi a Difusora pela internet. Pensei: ‘cara! estamos no mundo inteiro”.
A injeção de ânimo aplicada pela integração tornou as estruturas do Comércio da Franca e da Difusora é imbatíveis. Uma receita de sucesso. Segundo as três últimas pesquisas do Ibope, a Difusora é a rádio mais ouvida da cidade com ampla vantagem sobre as demais. Sua grade de programação está repleta de líderes de audiência e seus comunicadores são referenciais entre os ouvintes.
24 HORAS
A Difusora vive o seu 48º aniversário (completos no último dia 10 de junho) em uma época em que a força do rádio AM é a informação, como avalia Lima. Assim, dentro da programação fixa, que inclui vários programas jornalísticos ao longo do dia, sempre há espaço para que informações sejam divulgadas ao vivo, no momento em que os fatos acontecem.
Se a força do AM é a informação, a Difusora é ainda mais robusta ao valorizar todos os horários do dia. “Tenho comigo que a força da Difusora é a valorização de cada horário. Tenho visto, com tristeza no coração, que outras emissoras AM da cidade se preocupam com o horário da manhã, chamando-o de ‘o horário nobre do rádio’. Não, o horário nobre do rádio é 24 horas. Temos programas ao vivo até a meia noite e os nossos telefones não param. A interação com os nossos comunicadores acontece de manhã, à tarde e à noite. O pessoal tem que entender que o rádio tem público certo em todos os horários, em cada dia da semana”, afirmou.
FUTURO
Se o presente é de glória, o futuro é promissor. Os equipamentos já disponíveis na Difusora permitem que ela esteja pronta para se tornar uma emissora digital. Além do mais, em breve ganhará mais espaço no novo portal GCN - hoje a Difusora pode ser acompanhada 24 horas no link da página do jornal Comércio da Franca -e, para 2011, está programada uma série de novidades para permitir mais agilidade à notícia e entretenimento aos ouvintes.
“Com a digitalização, o rádio AM vai continuar crescendo, ao contrário do que muitos pensam. Vai abrir campo de trabalho para mais gente porque com a digitalização vamos poder transmitir de três a quatro programações diferentes. Teremos que ter equipes diferentes”, explica Lima.
Outra novidade pode ser resgatada lá de trás. “Sinto falta de programas de auditório. Temos um auditório no prédio e já temos alguns planos para programa voltado à criança, programa voltado à informação com entrevistas ao vivo com a participação da plateia e outros mais. Este tipo de programa mexe muito comigo, me faz sentir saudade e tenho a impressão que em breve teremos novidades em relação a isso”. Outro projeto é um estúdio móvel para circular na cidade e na região. “Queremos equipar uma viatura, com link, com computador. Vai ser um passo importante para o rádio e até me emociono quando falo”.
Mas, de tudo isso, se você está se perguntando o que proporciona mais orgulho ao radialista, poderá se surpreender com a resposta. O homem de gargalhada franca e olhos úmidos igualmente naturais, não titubeia: “são as pessoas que eu tive a oportunidade de lançar. Quando se trata de pessoas, quando você acredita em uma pessoa e ela ‘vinga’ é muito bom. O meu projeto é o ser humano. Tenho uma filosofia: quanto mais brilha aquele que trabalha comigo, mais luz eu tenho.”