10 de julho de 2026

Faltam 100 médicos na rede pública de saúde de Franca


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DIFICULDADES - O secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto estuda uma forma de atrair profissionais para os concursos. “É um desafio”

Faltam 100 médicos para atender a população na rede pública municipal de Franca - 46 especialistas (geriatra e psiquiatra, por exemplo) e 54 emergencialistas (para atendimento nos prontos-socorros). Segundo levantamento da própria Secretaria de Saúde, o município deveria contar, no total, com 336 profissionais em seu quadro. A defasagem é mais grave nos prontos-socorros “Dr. Janjão”, Infantil e UBS (Unidade Básica de Saúde) 24 horas do Jardim Aeroporto I, onde 47% dos postos estão vagos. Nas demais UBSs, nos PSFs (Programa Saúde da Família) e no NGA-16 (Núcleo de Gestão Assistencial), a ausência de médicos chega a 30%.


Para remediar a situação, a Prefeitura abriu concurso público para contratação imediata de 49 profissionais, entre clínico geral, emergencialista adulto e infantil, geriatra, neurologista, otorrinolaringologista e psiquiatra adulto e infantil. É a terceira vez em 18 meses que essas vagas são incluídas no processo seletivo. “No último concurso não tivemos nem inscritos”, disse o secretário municipal de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto.


Entre as explicações, estão baixos salários, condições ruins de trabalho e escassez de médicos no mercado. “O que se paga hoje representa 10% da remuneração de dez anos atrás, mas isso é no Brasil inteiro. Em Franca, o atendimento é semelhante ao de cidades do mesmo porte. A diferença é que aqui o número de pessoas que utilizam a rede suplementar (Unimed, Regional e Santa Casa) é pequeno em relação ao volume de pacientes da cidade e da região que lotam principalmente o pronto-socorro”, disse o delegado do CRM em Franca, Ulisses Martins Minicucci.


O salário base oferecido ao médico francano é de R$ 2.865,65 para 20 horas semanais de trabalho em qualquer especialidade. Esse valor é superior aos R$ 2.356 estabelecidos como piso da categoria no Estado de São Paulo pela mesma carga horária. Por outro lado, é inferior à remuneração em cidades de mesmo porte, como Bauru (R$ 3.739), e menos da metade do que é pago em Piracicaba (R$ 5.864). Veja mais em quadro nesta página.


Jerônimo Sérgio estuda uma forma de atrair profissionais para os concursos. “É um desafio. Talvez hoje a melhor saída seja remuneratória, mas a gente tem que pensar em alguma coisa praticável”.


NO LIMITE
O secretário de Administração se mostrou especialmente preocupado com a dificuldade em preencher as vagas para emergencialistas, psiquiatras e geriatras. “Entre os primeiros há uma grande rotatividade e estamos sempre precisando substituir profissionais que se aposentam ou pedem demissão, por exemplo. Já para as outras duas especialidades, não registramos nem inscrições no concurso realizado no início deste ano”, disse.


O delegado do CRM em Franca também acredita que haja poucos geriatras e psiquiatras no País. “Como são poucos e têm clientela boa, não se interessam pelo serviço público. Principalmente porque as consultas são muito demoradas e a remuneração é baixa”, disse Minicucci.
Colaborou Paula Faciroli