Os dois policiais civis presos em maio - sob acusação de exigirem dinheiro de um comerciante procurado pela Justiça em troca do não cumprimento de um mandado de prisão por falta de pagamento de pensão alimentícia - deixaram o presídio especial da Polícia Civil em São Paulo, na madrugada de hoje. A liberdade provisória do agente CAAD, preso na noite do dia 13 de maio, e do investigador EGR, detido desde o dia 15 de maio, foi concedida pelo juiz auxiliar da 2ª Vara Criminal de Franca, Fábio Marques Dias, após audiência na tarde de ontem com as duas principais testemunhas de acusação. Os policiais participaram da instrução.
“A liberdade deles já havia sido pedida anteriormente, mas não foi concedida por receio de que pudessem constranger as testemunhas de acusação. Uma vez ouvida a suposta vítima e seu funcionário, o juiz entendeu que este receio não tinha fundamento e deferiu pela liberdade provisória”, disse a advogada Sanaa Chahoud, que defende o agente CAAD.
Os policiais chegaram ao Fórum de Franca para a audiência marcada para as 16h45, uma horas antes, em uma viatura da Corregedoria da Polícia Civil, escoltados por dois agentes do presídio. Aparentemente abatidos, eles esperavam ser ouvidos, mas isto só deve ocorrer na próxima audiência, ainda sem data marcada. Das testemunhas de acusação, apenas duas compareceram - outras três, da Corregedoria da Polícia Civil, deverão prestar depoimento por carta precatória.
O juiz do caso, após os depoimentos do comerciante e de seu funcionário, encerrou a audiência, concedeu a liberdade aos policiais e determinou que uma nova data fosse agendada para ouvir as outras testemunhas do caso.
O advogado Rui Engracia Garcia, que trabalha na defesa do investigador EGR, não revelou os argumentos que pretende usar para livrar seu cliente das acusações. “Seria uma precipitação argumentar o que estamos preparando como defesa, mas posso adiantar que tudo será baseado nos depoimentos da testemunhas”.
O agente e o investigador, que trabalhavam no 2º Distrito Policial, foram presos por concussão - ato de exigir para si ou terceiros dinheiro ou vantagem indevida em razão de sua função. CAAD foi preso em flagrante pela Corregedoria da Polícia Civil dia 13 de maio. O investigador acabou na mesma condição, por determinação da Justiça, dois dias depois (leia texto ao lado).