Misturando lembranças com fatos atuais, pessoas bonitas, coincidências familiares, saudosos amigos de tantas primaveras, iremos hoje formatar um lindo retrato da vida.
Ele tinha uma postura de escol constantemente trajada com sobriedade, gravata e paletó bem costurado, ao vir para Franca trabalhar na Casa Hygino Caleiro, provavelmente ainda Hygino Caleiro & Sandoval. Trazia consigo sonho e esperanças que logo se tornaram reais através de feliz união à prendada jovem Arlinda Pinto Almeida.
Abriram-se em sua trajetória as portas responsáveis da instituição da família que soube honrar e amar até que finito seu ultimo momento. Pelo respeito e conduta impressa na alma da sociedade local, guindou-se a função de carcereiro – há quem afirme ter sido o primeiro – do sistema prisional da cidade.
Jamais foi visto portando ostensivamente uma arma. Sua forma de ser e agir indicaram sempre elegância e refinado tratamento social. Era o vivo símbolo dos antigos professores impondo qualidade e admiração. Como os magistrados, mostrava-se impoluto diante dos olhos da comunidade.
Arthur Alves de Almeida dignificou a família e a função de carcereiro na primeira metade do século passado na cidade de Franca.
Seu exemplo deveria ser consignado em um manual de comportamento para a polícia dos tempos modernos, onde muitos julgam pertinência em funções policiais, abuso e arrogância no uso dos cargos ocupados. Almeida não. Adotou em toda sua vida pública ou particular no seio da família, educação e comportamento retilíneo, haja vista, límpido espelho incrustado na família que formou para sucedê-lo na história da cidade.
Arthur e Arlinda uniram-se em casamento em 1909, saindo dai a célula mãe responsável por sete filhas, hoje sete viúvas que ainda hoje cultivam o hábito de uma reunião semanal por amor, amizade de uma união nascida há mais de um século.
Sete mulheres, sete caminhos, sete famílias a orgulhar a comunidade feminina de uma cidade.
Unidas a ilustres cavalheiros destacados por posturas adequadas na sociedade, contribuições ao serviço cidadão, elas dão continuidade aos núcleos de seus clãs com a saudosa memória dos baluartes, sustentáculos de suas esperanças: Zoé e Valeriano Gomes Nascimento, Zuleica e Arnaldo Nogueira, Zaida e Aniz Aidar, Zilá e José Gibaile, Linda e José Carlos Rodrigues Alves, Smar e Paulo França, Lúcia e Manir Bittar.
Lúcida, versátil e mostrando saúde ímpar, Zoé, hoje a matriarca quase centenária, se empolga dirigindo as reuniões destas Sete Viúvas.
Circula sua independência por entre seis irmãs com o otimismo e a altivez de seus 98 anos contados à luz da sabedoria, elã sustentado com naturalidade desde os tempos distantes das aulas de ciências ministradas no IETC, o Instituto de Educação "Torquato Caleiro". Aos que recordam existe gratidão na alma. Aos lembrados, o mérito justo.
Garcia Netto
Jornalista