09 de julho de 2026

Acordo livra estudante de processo cível


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O processo que o frentista Carlos Pereira da Silva, 39, movia por danos morais, estético e material contra o estudante francano Caio Meneghetti Fleury Lombardi, 22, que o atropelou em fevereiro de 2008 dentro de um posto de combustíveis na Avenida Independência, em Ribeirão Preto, terminou. Ele foi encerrado com a assinatura de um acordo financeiro entre a família de Lombardi e a vítima. O valor da indenização não foi divulgado por Fábio Martins, advogado do frentista. Porém, a vítima disse que recebeu R$ 150 mil, já descontados as custas do processo, impostos e honorários advocatícios.


Martins disse que o acordo homologado na 2ª Vara Cível de Ribeirão Preto encerra o processo cível, mas na área criminal o estudante ainda responde pelas acusações de tentativa de homicídio e tráfico de entorpecentes. Lombardi, que teve sua prisão preventiva decretada em janeiro deste ano, está recolhido no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca.


“Estou satisfeito com o acordo, a indenização foi paga e da minha parte está tudo certo”, disse na tarde de ontem, por telefone ao GCN Comunicação, o frentista Silva, que ficou mais de um ano afastado do trabalho. Neste período, ele passou por quatro cirurgias, incluindo implantes nas pernas e braços. “Apesar dos pesares, hoje estou bem e trabalhando no mesmo posto”, salientou Silva, que recebeu os valores e investiu em imóveis. Ele acredita que a justiça foi feita e perdoa Lombardi. “O perdão é cabível em qualquer situação para que a pessoa não persista no erro”.


O advogado criminalista Heráclito Mossin, que defende Lombardi, disse ontem que a indenização não foi paga antes porque as partes não chegavam a um acordo. “A intenção da família era ressarcir a vítima antes, mas somente agora foi possível fazer este acordo e os valores foram pagos”.


Mossin confirmou que o processo criminal continua. “Todas as testemunhas já foram ouvidas. O próximo passo é tomar o depoimento do meu cliente. Uma carta precatória foi enviada para a Justiça de Franca. Assim que ele for ouvido, a juíza que cuida do caso decide se ele vai ou não a júri popular e marca o julgamento”.


Em maio, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido de habeas corpus para que o estudante responda ao processo em liberdade. Novo pedido de liberdade provisória foi encaminhado ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) em Brasília. Mossin pretende usar o pagamento da indenização como uma de suas defesas para obter o habeas corpus. “Do meu ponto de vista penal, quem paga alguém não tem intenção de matar”.


O CASO
Na noite do dia 11 de fevereiro de 2008, segundo a polícia, o estudante, que dirigia um Vectra, atravessou o canteiro central da Avenida Independência, invadiu o posto, arrancou a bomba de gasolina, bateu em um outro veículo que estava abastecendo e atropelou o frentista que ficou preso sob o carro. Lombardi tentou fugir, mas foi impedido por pessoas que estavam no posto.


Câmeras de segurança gravaram toda a cena. Segundo a polícia, no carro foram localizados seis frascos de lança-perfume. No dia dos fatos, Lombardi foi indiciado por lesão corporal e liberado. Posteriormente, laudo da polícia apontou que ele estava embriagado. Desde janeiro deste ano, o estudante está preso preventivamente.