09 de julho de 2026

Câmara adia projeto de retomada de sepulturas


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FALHAS APONTADAS - O vereador Vanderlei Tristão defendeu o adiamento para corrigir falhas e aperfeiçoar o projeto: “Eles vão tirar os ossos e jogar onde? No lixão?”, questionou

Os vereadores não quiseram saber de enfrentar desgaste e empurraram para o mês que vem as discussões sobre a proposta apresentada pelo Executivo que autoriza o município a retomar e vender 860 sepulturas abandonadas no Cemitério da Saudade. Até mesmo integrantes da bancada governista votaram pelo adiamento por duas sessões. “Precisamos analisar melhor. A aprovação pode trazer consequências para a Câmara”, disse Josivaldo Bahia (PTB), evidenciando que a Câmara está escaldada com as polêmicas em que se envolveu recentemente.


Um levantamento realizado pela Prefeitura constatou que o Cemitério da Saudade tem 5.192 sepulturas, sendo que 860 não têm donos e estão deterioradas com o tempo. Há casos em que o último sepultamento se deu em 1876. Diante da necessidade de buscar alternativas para suprir a falta de vagas, o município elaborou uma lei para regulamentar o funcionamento de cemitérios públicos e particulares da cidade. O principal ponto é o que permite a retomada dos túmulos abandonados.


O projeto não foi bem recebido na Câmara. Graciela Ambrósio (PP) disse que a proposta fere o direito do falecido de permanecer sepultado e que não esclarece onde os ossos retirados das sepulturas serão colocados. Sugeriu o adiamento por duas sessões e foi seguida pelos companheiros de plenário. “A intenção é boa, mas estamos diante de um projeto extremamente polêmico, que envolve religiosidade. Os ossos vão ser jogados lá no lixão? O melhor é adiar mesmo para corrigir as falhas e aperfeiçoar a ideia”, concordou Vanderlei Tristão (PTB).


A proposta apresentada pela Prefeitura, realmente, não é clara em relação ao destino dos ossos. “Os restos mortais permanecerão inumados, devidamente identificados até decisão em contrário dos sucessores do falecido”, se limita a informar o artigo segundo. Responsável pela elaboração do projeto, o secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, disse que a ideia inicial seria manter os ossos nos fundos da sepultura a ser retomada. Como o adiamento foi aprovado, a matéria voltará a ser discutida pela Câmara no dia 6 de julho e os vereadores terão tempo necessário para apresentar as emendas que entenderem necessárias.