08 de julho de 2026

Chamado à razão


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Para se medir a liberdade do cidadão basta olhar a quantas anda a liberdade de imprensa que o informa. Uma das principais condições para a democracia plena é que a imprensa seja livre. Países como Venezuela, Irã e Cuba, entre outros - onde jornalistas não podem informar com isenção e noticiar sem que as amarras da censura tolham totalmente o seu raio de ação, onde os leitores de jornais, ouvintes de rádio e espectadores da televisão não têm acesso a todos os fatos de forma ampla e isenta - são os principais exemplos do prejuízo que faz a falta de liberdade para informar e ser informado. O Brasil, que viveu período de 20 anos sob regime de exceção que sonegava informações, mutilava manifestações artísticas (como peças de teatro, músicas e programas de televisão) e só permitia que o povo brasileiro visse o que os censores de plantão achavam pertinente, hoje vive época de plena liberdade - embora ainda existam os que pretendem exercer o controle das informações e das manifestações. Felizmente, há posturascontrárias a essa situação absurda.


Em Franca, a vereadora Graciela de Lourdes David Ambrósio (PP) protocolou projeto para colocar um fim nas restrições impostas ao trabalho de jornalistas na Câmara Municipal. Ela defende a revogação da medida que proíbe a presença de repórteres no plenário, restringe o acesso de jornalistas ao setor administrativo e impede os servidores da Câmara de liberar qualquer informação. Por conta da atuação dos órgãos de comunicação da cidade, notadamente este Comércio e a Rádio Difusora, os vereadores entendem que a imprensa exagera na cobertura, quando são eles mesmos que criam fatos desabonadores que deixam a própria Câmara desacreditada diante da população. Mas não é impedindo que os profissionais da comunicação tenham liberdade para coletar informações que os legisladores francanos conseguirão melhorar a impressão que toda a cidade tem do seu trabalho. Uma atuação mais corajosa e realmente alinhada com os anseios de seus eleitores seria muito mais eficaz.


Quanto ao projeto da vereadora Graciela, ele busca restabelecer princípios básicos que a Comunicação Social exige: liberdade para levantar dados, liberdade para escrever, liberdade para falar, liberdade para informar. Em casos de abuso, a Justiça está aí para decidir. E, pelo menos nos últimos tempos, a Justiça não vem considerando ataques pessoais as informações que a imprensa de Franca informa a respeito do trabalho do Legislativo Municipal. Tentar cercear o acesso dos francanos aos assuntos relacionados à Câmara, leva aquela assembleia a tentar reproduzir, em nível doméstico, o que já se fez em nível nacional. E o resultado todos conhecem. Fica difícil entender qual é a razão que leva agentes públicos, eleitos para um mandato legislativo, a buscar medidas tão radicais e ultrapassadas para impedir que a população seja informada de todos os seus atos, sejam eles acertados ou não.


A pergunta que não quer calar é: quem votou a favor da censura que vige no momento, tem medo de quê?