09 de julho de 2026

Retomada industrial aquece venda de máquinas


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As empresas que produzem e comercializam máquinas para calçados e artefatos de couro na cidade estão com todas as forças concentradas na produção. As encomendas estão em alta, reflexo do bom momento vivido com a geração de emprego e economia aquecida. As fabricantes de máquinas francanas expandiram a produção, que dobrou em comparação a 2009. Representantes de fornecedores do Rio Grande do Sul registram aumento de até 40% nas vendas de maquinário na cidade nos primeiros cinco meses do ano. O aumento da demanda gera espera aos clientes. As indústrias calçadistas podem aguardar até cem dias para receber o produto.


Desde setembro do ano passado, a Ivomaq percebeu sinais de recuperação do mercado diante à crise financeira mundial. Os negócios começaram a ser retomados e a empresa, que produzia durante a crise 70 máquinas por mês, aumentou a quantidade para 130 e tem planos de atingir 150 unidades mensais até agosto. “Vivemos um momento atípico. A produção está em ascensão”, disse o gerente de marketing Marcos Morais.


A retomada do setor calçadista e da economia no pós-crise e os incentivos do governo federal para o setor empresarial foram decisivos para o bom momento vivido hoje pela empresa. Um deles foi a linha de crédito BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os empresários fazem o financiamento e têm prazo de dez anos para pagar, além de carência de até dois anos para a entrada, juros de 4,5% ao mês e possibilidade de utilizar até 50% do total emprestado como capital de giro. “Com o crédito, os clientes aproveitaram para fazer as suas encomendas. Os de Franca estão investindo vigorosamente na produção, acreditando realmente em anos bons e estão se equipando para poderem competir”, disse Marcos Morais.


A Ivomaq, que demitiu profissionais em 2009, contratou funcionários e o quadro de 80 profissionais está com 110. Instalada no Distrito Industrial, produz 40 modelos, que variam de R$ 4,5 mil a até R$ 40 mil. Antes da evolução nas vendas, a entrega era feita em duas semanas. Atualmente, o tempo mínimo de espera é de um mês e pode chegar a cem dias.


Os compradores da Sampaio Indústria de Máquinas para Calçados também precisam esperar para receber as encomendas. “Antes tínhamos pronta-entrega, mas como há muitos pedidos, o prazo é de uma semana para entregarmos”, disse o gerente de produção José Henrique Sampaio. Na empresa, a produção dobrou. Os sete funcionários fabricam de 20 a 30 equipamentos ao mês. “É um momento de recuperação”. A economia brasileira cresceu 9% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


ENGRENAGEM
A fábrica de calçados Pipper precisou esperar três meses para receber as máquinas de pesponto que comprou da Ivomaq. O pedido foi feito em outubro e a entrega ocorreu em janeiro. A indústria investiu R$ 125 mil na aquisição de 21 máquinas de pesponto. E novas compras devem ser feitas. Hoje 40% do pesponto são feitos na própria empresa e a expectativa é atingir 70% até o fim de 2010. “Decidimos ter produção interna do pesponto porque tivemos dificuldades para contratar bancas. A qualidade fica melhor quando feito na fábrica”, disse o diretor de compras Orlando Carrera, que aumentou a fabricação diária de 1200 para 1600 pares.


Colaborou Marco Felippe