A ação ousada de três assaltantes que começou em pleno Centro de Franca, na tarde da última quinta-feira, teve elementos de seriado policial, com perseguições, tiroteio e culminou com a morte de um dos bandidos, Ulisses Lobo Pereira, 27, com três tiros no peito já na Vila Exposição. Os outros dois, ainda desconhecidos, conseguiram fugir. Quem leu a reportagem do Comércio, ontem, conferiu uma história em que diversas pessoas ficaram dentro do campo de ação dos marginais, correndo um grande risco. Numa análise preliminar, no final, foi considerada correta pelo comando da Polícia Militar a ação dos dois policiais da Força Tática e do soldado que atirou e matou um dos ladrões. Há quem ainda argumente que o assaltante morto portava apenas uma arma de brinquedo, réplica de pistola semiautomática. Porém, o policial não poderia saber disso: ao ver-se sob a mira de uma arma, reagiu e acertou o bandido no peito. Reação plausível e esperada para a situação.
Claro que é lamentável que a polícia tenha que responder desta forma à ameaça, mas os agentes que cuidam da segurança do cidadão francano precisam atuar de maneira dura e forte para se fazerem respeitados. A própria ação do assaltante demonstra a sua pouca fé nos agentes policiais, ao apontar a arma achando que poderia intimidá-los. E a resposta rápida e extrema não poderia ser descartada. Caso o assaltante tivesse uma arma real, os integrantes da Força Tática que o abordaram correriam um grande perigo a qualquer titubeio. Não é racional a apologia do que deve ser a última opção de defesa para a autoridade policial — e não é isto que estamos fazendo. Porém, a população também não pode mais viver à mercê da violência, trancando-se em casa enquanto os bandidos estão soltos por aí, ameaçando a vida de trabalhadores e cidadãos cumpridores de seus deveres. O francano espera uma resposta que somente chegou desta forma.
No momento em que baleou o assaltante, o policial fez o que a situação permitia. Ele não poderia, em nenhuma hipótese, aguardar o primeiro tiro — que poderia atingi-lo ou atingir algum inocente nas proximidades. Foi instintiva a defesa, demonstrando claramente que os agentes de segurança estão atentos às ameaças e que irão reagir à altura contra a audácia da marginália que assalta lojas à luz do dia e troca tiros com a polícia pelas ruas da cidade, sem se importar com quem passa por perto. Agem como donos da razão e da cidade. Quando a polícia não se deixa intimidar, demonstrando que os PMs estão prontos a fazer valer sua autoridade, o resultado pode ser lamentável. Porém, mostra que, a depender deles, os marginais não terão vida fácil. A polícia marcou um tento que, espera-se, seja o primeiro de muitos outros capazes de restabelecer a segurança e a confiança dos francanos para transitar sem medo pelas ruas da cidade.