11 de julho de 2026

Incêndio destrói sonho de família no Jardim Aviação


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FAMÍLIA PEDE AJUDA - O casal Eurípedes Donizete dos Reis e Dadisley Souto dos Reis, ao lado de quatro, dos seus cinco filhos, lamentam o incêndio em sua residência na semana passada. Nada restou do imóvel

Pais de cinco filhos com idades entre 5 e 13 anos, Eurípedes Donizete dos Reis, 36, curtumeiro, e Dadisley Souto dos Reis, 37, sapateira, estavam cansados de pagar o aluguel desde que se casaram há quatorze anos. Os cerca R$ 20 mil que tinham da venda de um terreno e de um carro decidiram dar como entrada em uma casa própria no Jardim Aviação. A papelada já estava pronta para o financiamento da residência de cinco cômodos na qual moravam há um ano e três meses. Mas, há sete dias, a família teve seus planos frustados por uma fatalidade. Um curto circuito na fiação no portão de entrada da casa causou um incêndio que destruiu tudo o que eles tinham. Móveis, eletrodomésticos, roupas, calçados e documentos foram queimados.


Na tarde da última quarta-feira, dia 9, Dadisley, como de costume, costurava sapato sentada na calçada. Escutou um estralo e sentiu um cheiro forte de queimado. Quando entrou na garagem de casa, as peças de espumas (material de trabalho de um dos serviços da sapateira) estavam pegando fogo. “Foi tudo muito rápido, logo que vi o fogo fui até os fundos atrás do Carlos, meu filho de 5 anos, o único que estava em casa naquele momento, mas não o encontrei. Quando voltei o fogo, já tinha invadido a sala”, contou a mãe. A fumaça não deu trégua. As chamas se espalharam rapidamente por toda a casa.


Desesperada sem encontrar o filho, Dadisley pediu ajuda aos vizinhos e logo desmaiou. Quem tinha mangueira e balde ajudou a diminuir as chamas enquanto os bombeiros não chegavam. Um dos vizinhos quebrou o telhado do quarto e resgatou a criança, que, com medo, tinha se escondido. O pai estava trabalhando e os outros quatro filhos do casal estavam na escola. “Quando acordei o Corpo de Bombeiros nem tinha chegado ainda, mas meu filho estava salvo”, disse.


A casa está interditada desde o incidente. As paredes ameaçam cair a qualquer momento. O que restou do incêndio - algumas roupas, sofás e armários danificados - a família foi orientada a não usar. “Eles disseram que está tudo contaminado com a espuma tóxica, que é melhor evitar de limpar”, disse a sapateira.


A família está morando de favor em uma casa - de apenas três cômodos - junto com parentes na mesma rua, e agora espera ter condições para demolir o que restou do imóvel e reconstruir a vida. Com salário de R$ 860 e ajuda de R$ 400 que Dadisley recebe cortando borracha e costurando sapato, eles dizem não ter condições financeiras para retomar a vida. As despesas na casa são muitas. Os gastos com as contas de água e luz somam R$ 220 por mês. Há ainda os custos com alimentação, remédios, roupas e materiais escolares que os pais nem souberam estimar os valores. “Nem sei por onde começar a organizar a vida. Precisamos também de um lugar para nos acomodar melhor, nossa vida mudou completamente”.


Quem quiser ajudar a família pode ligar para (16) 9109-4317 ou (16) 9303-4564


CAUSA NÃO CONFIRMADA
Nem o casal nem os vizinhos souberam explicar os motivos do incêndio. Segundo eles, o perito do Corpo de Bombeiros disse que a causa deve ter sido um curto circuito. No mesmo dia, cerca de vinte minutos antes do incidente, a CPFL esteve na residência religando a força que estava cortada há oito dias por falta de pagamento. “Não sei se teve a ver com o incêndio, mas vinte minutos depois que eles saíram daqui o incêndio começou”, disse Dadisley.


A CPFL foi procurada pela reportagem para comentar o assunto. A assessoria confirmou a religação da força naquele dia, mas disse que a empresa ainda irá apurar os fatos para saber se houve alguma relação com o incêndio. O laudo do Corpo de Bombeiros ainda não foi concluído, a previsão é seja divulgado em duas semanas.