Foi dada a largada: com a unção do nome da neo-petista Dilma Rousseff - ela foi filiada ao PDT até 2001 - em convenção do Partido dos Trabalhadores neste domingo, já estarão oficializados os três principais nomes para a disputa da Presidência da República no pleito deste ano. Além dela, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) tiveram os nomes homologados e são oficialmente candidatos. A menos que ocorra uma surpresa enorme, com certeza a polarização ficará entre estes três nomes, que deverão dominar os programas eleitorais e debates daqui até outubro. O horizonte, ainda nebuloso – no que tange às pesquisas eleitorais realizadas até agora pelos institutos de maior crédito no País – deverá começar a clarear apenas em agosto, quando entrarem no ar efetivamente as propagandas em rádio e TV. Antes disso, arriscar qualquer prognóstico ainda é uma temeridade.
Uma curiosidade: pela primeira vez em quase trinta anos, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva não constará da urna eletrônica (sua primeira participação foi em 1982, quando concorreu ao governo de São Paulo; foi eleito o então peemedebista Franco Montoro). Mesmo assim, a participação do presidente Lula na campanha poderá ser primordial para levar o País a eleger a primeira mulher para a Presidência. Nos últimos meses, ficou bastante claro que a popularidade de Lula está sendo facilmente transferida para a candidata Dilma, que só se encontra nesta posição por conta da intervenção do ex-chefe nas decisões do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores. A força do ex-metalúrgico no PT – o qual fundou e é presidente de honra – ficou demonstrada ainda com a capitulação do partido em Minas Gerais, que teve de engolir o ex-ministro Hélio Costa a despeito do petista Fernando Pimentel.
Se o PT não cometer alguma lambança — e as últimas notícias são preocupantes, já que em menos de um mês duas denúncias de espionagem e de elaboração de dossiês contra adversários envolvendo a campanha petista tomaram conta da mídia —, Lula deve conseguir levar a sua candidata nas costas até o resultado final em outubro.
Há quem, como o empresário José Augusto Montenegro, dono do Ibope, já vaticine que o pleito vai ser decidido no primeiro turno, com a vitória de Dilma. Porém, depois que ele passou seis meses garantindo que José Serra ganharia com um pé nas costas, é uma declaração para ser encarada com reservas. O que se sabe é que, a partir de agora, o embate será ainda mais acirrado e das urnas deverá sair vencedor o nome de quem terá não só o dever, mas a obrigação, de manter o Brasil nos trilhos, crescendo positivamente e tornando-se, depois de muitos anos como um País de Terceiro Mundo, uma Nação emergente, sólida, forte e uma das protagonistas da história contemporânea de nosso planeta. O que menos se espera, agora, é que um azarão leve este páreo e coloque a perder tudo o que o Brasil conseguiu nesta última década.