No início da semana, o Ipem-SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo), órgão vinculado à Secretaria da Justiça, reuniu representantes de panificadoras do Estado de São Paulo para discutir o resultado da ‘Operação Padoca Legal’, que autuou 60% das padarias visitadas no Estado por apresentar irregularidades. De acordo com o site do Ipem, das 202 padarias fiscalizadas, 121 apresentaram erros quantitativos em produtos próprios. No topo do ranking estão autuações para as padarias que não deixam à mostra o preço do pão francês por quilo, as que possuíam produtos próprios embalados com menor quantidade em relação ao peso indicado e a falta de indicação de peso também desses produtos artesanais.
O que não se entende ainda é a necessidade de uma operação como esta, já que a mudança na sistemática de venda entrou em vigor em outubro de 2006 e foi amplamente noticiada pela imprensa, divulgada pela TV, esmiuçada pelas revistas. Porém, num País onde ainda são apreendidas toneladas de alimentos já vencidos - o prazo de validade é adulterado e os produtos retornam para a venda ao consumidor - ou ainda se ‘fabricam’ falsos remédios para o tratamento de doenças graves, como o câncer, não é de se estranhar que há os que sempre agem fora da lei. O Ipem-SP realiza medições sistemáticas abrangendo vários setores, desde instrumentos de medição (balanças, taxímetros e bombas de combustíveis, entre outros), passando por produtos pré-medidos (embalados, vendidos no comércio), têxteis e veículos de transporte de produtos perigosos, com atuação em 645 municípios do Estado de São Paulo, num trabalho essencial para a defesa dos consumidores paulistas.
Embora o órgão esteja cada vez mais presente junto ao comércio e indústria, buscando uma uniformidade na normatização de pesos e medidas, ainda há os que conseguem burlar a legislação e ludibriar o consumidor, uma vez que o Ipem-SP tem uma estrutura para a fiscalização que fica aquém da demanda. Ou seja: já poucos fiscais e muitos comerciantes inescrupulosos que não se furtam em manter-se fora da lei, prejudicando a saúde e o bolso de seus clientes, tudo em nome de um lucro imoral. Neste caso das padarias, o Ipem ainda vai mais longe, criando uma cartilha para orientar os empresários do setor. Quem sabe a partir desta iniciativa o consumidor comece a ser tratado com o respeito que merece, uma vez que ele é a razão da existência de qualquer tipo de estabelecimento. Ao mesmo tempo em que paga por algum produto, o consumidor merece receber o melhor, com peso, tamanho e preço justos.