Parte dos servidores do Judiciário do Fórum “Alberto de Azevedo” de Franca cruzou os braços durante o expediente de ontem. A paralisação ocorreu em decorrência da greve da categoria no Estado de São Paulo. Os grevistas pedem reposição salarial de 20,16%, melhores condições de trabalho e a aprovação de projeto de lei que institui plano de cargos e salários. O Fórum de Franca tem 300 funcionários.
Com faixas, cartazes, buzinas e coletes, um grupo de funcionários ocupou a entrada principal do Fórum logo pela manhã e ao longo do dia batalhou pela adesão de mais trabalhadores. Apesar da movimentação, o piquete foi pacífico e não impediu a entrada dos usuários no local. Também para impedir que o movimento perdesse força, principalmente no horário do almoço, houve distribuição de lanche e refrigerante aos manifestantes.
Presidente da Associação dos Servidores do Judiciário de Franca, Márcio César de Souza, estimou uma adesão de 70% dos trabalhadores. Do lado de dentro do prédio porém, muitas Varas trabalhavam normalmente. “Não conseguimos parar tudo, mas se alguma Vara tem audiência marcada e os funcionários estão em greve, o juiz não consegue realizá-la e ela é remarcada”, disse Márcio.
Durante a tarde de ontem, a reportagem não conseguiu contato com a juíza Julieta Maria Passeri de Souza, diretora do Fórum, para saber os reflexos da paralisação. Em outra ocasião porém, depois de 11 dias parados em maio, a greve afetou diretamente a 1ª Vara Civil e a 2ª e 3ª Varas Criminais. Somente teve andamento casos urgentes envolvendo pedidos de prisão, soltura e aqueles com menores e de perecimento de Direito.
Até o começo da noite de ontem, o Tribunal de Justiça ainda não havia feito nenhuma contraproposta aos servidores. O secretário da Casa Civil paulista, Luiz Antônio Guimarães Marrey, disse que o governo sancionou no mês passado o plano de cargos e carreira, uma das principais reivindicações dos grevistas. Ele classificou a greve como um movimento político. “É uma greve feita por um setor absolutamente minoritário. O Judiciário paulista está funcionando com absoluta normalidade”, disse Marrey à imprensa.
Segundo o sindicalista francano, novos piquetes estão previstos para segunda-feira e no decorrer da próxima semana até que haja uma contraproposta do Tribunal.