No horizonte de minha vigília
Os dedos de fogo da manhã
Despertam, cariciosos, as horas noturnas
Ainda ébrias do ninar azul-devaneio das ondas.
Abro meus olhos para uma manhã brasil
Desenhada nos contornos cada vez mais insistentes da orla.
Sol sal e serra recortada
Recebem meu sonho desperto.
Sendas desaguando passos doloridos
No macio escalda-pé marinho
Alimentam a sede essencial dos homens
No abraço líquido amante do Atlântico.
Meus olhos - filhos pródigos -
Vão recolhendo, renitentes, o aconchego do lar
Até que, desperta, meus passos aportam de vez.
Ancoro meu coração nos pilares da terra que me abriga
E bendigo caminhos escavados nas rochas.
Mergulho no sólido aconchego terreno
Que me acolhe
E me abriga os sonhos.
Regina Helena Bastianini
Professora, poeta autora de Eu e o mundo (1990), Entrenós (2003), Contraponto (2006)