Em alguns minutos (ou horas) é possível praticar atos insanos, desumanos e, ao mesmo tempo, despertar a ira e a revolta de povos das mais diferentes culturas, opiniões políticas e com históricos diferentes de alinhamento aos interesses palestinos e judaicos.
No último dia de maio Israel conseguiu ser protagonista de mais um ato de selvageria internacional ao atacar navios com cerca de 750 pessoas de vários países, que tentavam furar o bloqueio marítimo (outro absurdo) imposto por Israel e que levavam ajuda humanitária aos palestinos residentes na faixa de Gaza. Aliás, esses não foram os primeiros navios a enfrentarem a insanidade do governo de Israel. Vários outros que também tentaram levar comida e medicamentos à população de Gaza foram, anteriormente, atacados.
A história de conflitos e injustiças entre esses dois povos (palestinos e israelenses) não é recente. Nas questões religiosas estende-se por séculos, mas, na geopolítica, iniciou-se após a segunda Guerra Mundial, com a ONU decidindo pela criação dos Estados de Israel e da Palestina. Até aí, tudo bem, não fosse o fato do povo judeu ter construído o seu Estado expulsando milhares de palestinos que viviam na região e de terem, logo em seguida, com apoio americano, impedido os palestinos de criarem seu próprio Estado, livre e soberano.
Como se isso não bastasse, Israel vem ‘conquistando’ ao longo das últimas décadas, regiões tradicionalmente ocupadas pelos palestinos e provocando massacres de civis nessas regiões. Foi o que fez novamente há um ano e meio quando atacou Gaza e matou milhares de palestinos civis argumentando que lá não havia inocentes e apenas terroristas.
Agora, essa nova agressão, negação total do espírito de solidariedade e de humanismo, visto que o povo palestino em Gaza está cercado e isolado do mundo, vitimado por doenças e pela falta de todos os itens necessários para uma vida minimamente decente. Tudo isso graças a Israel, que continua cercando militarmente a região, e aos Estados Unidos, seus protetores.
Vendo essa agressão, a indisposição ao diálogo e à construção de uma paz definitiva (que pressupõe, necessariamente, concessões a serem feitas por ambas as partes), torna-se risível as manifestações críticas (de ‘eminentes’ personalidades brasileiras) que ocorrem todas as vezes que o Brasil sinaliza aproximação (legitimando os interesses nacionais) com os povos árabes e, em especial, com o Irã do ‘temido’ Ahmadinejad.
Pois é de se pensar. Quem é mais perigoso para a paz do mundo: Israel ou o Irã? Israel tem tecnologia nuclear, histórico de invasões regionais e de parcerias segregacionistas. Aliás, a imprensa mundial noticiou que Israel protagonizou uma tentativa de venda de armas nucleares para a África do Sul do Apartheid e, certamente, deve estar envolvido em muitas outras negociações suspeitas pelo mundo afora.
Fica a pergunta: até onde é possível ir a estupidez humana? Israel mostra que não há limites.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário