Enquanto a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia não define a data da vinda à Franca para tomar os depoimentos do caso envolvendo o padre José Afonso Dé, 75, ex-vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, o processo na Justiça transcorre sem entraves. No fim do mês passado, duas audiências foram realizadas no Fórum de Fanca para ouvir as pessoas arroladas no inquérito apresentado na 2ª Vara Criminal.
Apesar de o processo correr em segredo de Justiça, o Comércio apurou que duas audiências aconteceram nos dias 28 e 31 de maio. Entre os ouvidos, estavam o próprio padre Dé, as supostas vítimas e testemunhas de acusação e defesa. As oitivas foram realizadas pelo juiz Wagner Lima e pelo promotor José Lourenço Alves.
Em razão do sigilo, o teor dos depoimentos não foi revelado. Também não foi confirmado se o padre teve contato com os menores que o acusam de tocar os órgãos genitais em encontros realizados após as missas. O próximo passo é colher o depoimento de pelo menos dez testemunhas de outras cidades. O prazo é de 60 dias, mas pode demorar ainda mais em razão da greve dos funcionários do Judiciário paulista. Com os depoimentos em mãos, o juiz pode marcar o interrogatório e, em seguida, dar a sentença.
Padre Dé, que está afastado de suas funções, é acusado de abusar de meninos com idades entre 13 e 16 anos. Ele foi indiciado por estupro de vulnerável e ato libidinoso mediante fraude. O padre nega as acusações. Na quarta-feira, o advogado do padre José Chiachiri Neto disse que apresentou a defesa baseada nas indicações de inocência do religioso.