O fim da violência dentro do Brasil poderia gerar um adicional de mais de US$ 101 bilhões anuais à economia do País, de acordo com uma análise do Instituto para Economia e Paz, baseado na Austrália. O instituto - que publica anualmente um Índice Global de Paz (IGP), medindo indicadores de segurança e violência no mundo - coloca o Brasil em 83º lugar em um ranking de 149 países (os primeiros do ranking são considerados os países mais pacíficos). A criminalidade, o número de homicídios, a percepção da violência pela sociedade, a facilidade de acesso a armas de fogo e o nível de respeito aos direitos humanos são apontados como os principais pontos negativos do país entre os mais de 20 indicadores analisados para o índice.Em uma pontuação que vai de 1 (mais pacífico) a 5 (menos pacífico),
o Brasil teve 2,048 neste ano, numa leve piora em relação ao ano passado, quando teve um índice de 2,022.
O IGP deste ano aponta a Nova Zelândia como o país mais pacífico do mundo, seguido de Islândia, Japão, Áustria e Noruega. Na outra ponta, nas últimas colocações, aparecem Israel, Paquistão, Sudão, Afeganistão, Somália e Iraque, da 144ª à 149ª posição. Os Estados Unidos aparecem no 85º lugar no ranking, duas posições abaixo do Brasil, enquanto a China aparece na 80ª posição. Além de causar abalos no turismo e na imagem do País mundo afora, a criminalidade vem roubando um dinheiro precioso, cujo montante supera todos os investimentos (R$ 157 bilhões) programados para a habitação no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), por exemplo. Dinheiro que também seria melhor aplicado na melhoria do sistema público de saúde e na educação, dois setores que precisam urgente de uma injeção de verba para conseguirem atender as demandas dos brasileiros. Para se ter uma idéia, o orçamento da Saúde para este ano não chega a R$ 90 bilhões enquanto o da Educação é de R$ 53 bilhões. A soma do montante destinado a estas duas pastas é inferior aos R$ 180 bilhões gastos pelo País por causa da violência.
Deve-se destacar que os US$ 100 bi são gastos não só no reforço da segurança dos cidadãos, mas também com salários do contingente e os insumos para o trabalho das Polícias Militar e Civil; gastos com a manutenção dos condenados na cadeia e também os custos do atendimento das vítimas e muitos outros dispêndios diante do crescimento da criminalidade no Brasil. A cada dia que passa, o brasileiro se vê acuado, temeroso por sua própria integridade e vendo o dinheiro de seus impostos sendo desviado para a manutenção do aparato que mal consegue lhe garantir um pouco mais de tranquilidade no seu dia a dia.