03 de abril de 2026

Morre Nadima Abrahão Jorge, conhecida empresária e grande anfitriã francana


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Morreu no sábado, dia 16, por volta das 18 horas, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional, Nadima Abrahão Jorge, conhecida empresária, matriarca de família com relevantes serviços prestados à cidade.

No sábado, comemorava com seus familiares o aniversário do sobrinho Eduardo, quando se sentiu mal, fortíssima dor no peito. Conduzida ao Hospital Regional, constatou-se infarto agudo do miocárdio. Nadima chegou com dores intensas, mas ainda conversando, auxiliando a equipe médica no diagnóstico. Seu estado geral piorou em minutos e ela morreu.
Na ocasião da morte, por coincidência, estava presente no hospital Frei Benedito, vigário da Igreja de Nossa Senhora da Graças, uma das paróquias que a religiosa Nadima frequentava. Chamado, houve apenas o tempo de conceder-lhe extrema-unção.
Não tinha problemas graves de saúde apesar de seus 83 anos. Faria 84 no próximo 8 de fevereiro. Ainda dirigia seu próprio carro. Era viúva de Abrahão Jorge Sobrinho (morreu em 1994), com quem formou um dos casais mais conhecidos, prestantes e festeiros de Franca por 51 anos. Foi normalista do Colégio Nossa Senhora de Lourdes. Descendente de árabes, mostrou grandes dotes na culinária. Seus pratos deixam saudade. "Gostava de mesas fartas e era a própria anfitriã. Recebia familiares, amigos, vizinhos para inesquecíveis recepções, principalmente nas ocasiões das grandes festas sociais que, com papai, organizava", lembrou-se Paulo Sérgio Jorge, um de seus filhos.
E ele tem razão. Integrantes de Lions Clube desde muitos anos, presidiram por várias vezes e participaram do conceito de formação, em Franca, dos Bailes de Debutantes (o baile de apresentação de meninas na faixa dos 15, 16 anos à sociedade). "A princípio realizados na AEC/Centro, os bailes foram transferidos depois para o Clube de Campo que papai presidiu por duas vezes e do qual foi diretor social por 3", continua contando o filho. Também através do Lions, o casal dedicou-se à construção da Casa do Diabético, integrando grupo de francanos preocupados com a causa.
O casal teve 3 filhos (Paulo Sérgio Jorge, empresário, casado com Rejane Rached; Aparecida Helena, advogada e empresária, casada com Antônio Carlos Bettarello; Vânia, psicóloga e doutora em Administração de Empresas, casada com Wander Nassif), 9 netos (Paulo, juiz de Direito, casado com Roberta Caparelli; Roberto, advogado e empresário; Fernando, empresário, casado com Roberta Maranha; Eduardo, engenheiro, casado com Luciana; Carlos Augusto, advogado; Flávio, engenheiro; Fernanda, administradora de empresas; Eduarda, advogada; Renata, bióloga) e 3 bisnetas (Paula, Giovanna e Rafaela).
Nadima e Abrahão abriram uma loja de tecidos e armarinhos - a Casa São Paulo Tecidos – em 1944. A empresa tornou-se referencial em seu segmento, empregando modistas que colocaram a cidade dentre as que produziam Alta Costura. O artista da empresa era Di Orsini, que disputava as socialites francanas com outra referência do setor, Edson Luiz Fernandes. À frente de tudo estava Nadima, anfitriã estimulante, sempre pronta a bem receber.
Em casa, era firme e carinhosa com os filhos e com os visitantes. "Quando a empresa recebia vendedores de fora, terminadas as negociações, mamãe os recebia em casa, sempre com mesas especialmente preparadas. Ela e papai fizeram amizades duradouras com este jeito bom e carinhoso de ser", disse Paulo.
A Casa São Paulo ainda existe. Mudou de ramo e hoje é administrada pelo neto Fernando, terceira geração da família. Nadima e Abrahão trabalharam muito "mas também curtiram muito a vida. Andaram pelo Brasil e conheceram o mundo. Acho que se presenteavam ao ver que o que estavam fazendo era sempre muito bom", disse o filho. Ao ser perguntado sobre a principal lição que sua mãe deixou a filhos, netos e bisnetos, Paulo se emocionou: "minha mãe era de paz, paz verdadeira. Ela não admitia discórdia, viesse de onde viesse. Ensinava que ninguém deve dormir sem antes esclarecer as coisas, pois a gente pode estar errado".
Durante o velório, ocorrido no São Vicente de Paulo, sentidas manifestações de saudade tiveram lugar. Falaram padre José Geraldo, vigário da Catedral de Nossa Senhora da Conceição; Frei Vagno, da Igreja de Nossa Senhora das Graças; a cronista Patrícia, considerada como a "irmã de Nadima e Abrão", segundo registrou o decorador Liliko ao fazer, muito emocionado, uma coroa de flores "para minha segunda mãe". O sepultamento aconteceu domingo, 17, no Cemitério da Saudade.