09 de julho de 2026

Francana presa na África volta para casa


| Tempo de leitura: 3 min
EMOÇÃO EM FAMÍLIA - Fabiana da Silva Barbosa e sua mãe Maria Aparecida da Silva se abraçam depois de quase cinco anos sem se encontrarem

Depois de quase cinco anos distante da família, a cantora Fabiana da Silva Barbosa, 30, está de volta a Franca. A jovem estava presa na África do Sul por tráfico internacional de drogas desde outubro de 2005, quando foi flagrada transportando cápsulas de cocaína que havia ingerido. Fabiana estava em liberdade desde dia 19 de abril, mas só conseguiu regressar ao Brasil na semana passada. Ela está na casa da mãe, ao lado dos três filhos, irmãos e sobrinhos desde a última sexta-feira, 4. “Só acreditei que estava livre da cadeia quando cheguei aqui”, disse.


Fabiana era integrante de uma banda da cidade. Alega que decidiu atuar como “mula”, nome dado às pessoas que transportam drogas no corpo, porque estava endividada. Um amigo dela havia transportado drogas para a Europa de maneira bem sucedida. Ela pediu os contatos das pessoas envolvidas neste tipo de negócio e conseguiu ser “contratada”. Para levar cocaína de São Paulo até a África do Sul, receberia R$ 25 mil. Ela aceitou e pretendia pagar as dívidas e investir num negócio próprio. “Estava devendo aluguel, minha mãe estava apertada, minha irmã numa situação ruim, minha filha doente. Até pensei em me matar. Fazia shows, mas ganhava cachê que dava R$ 20, R$ 25 por noite. Para pagar aluguel e cuidar dos filhos era muito pouco. Com o dinheiro que eles ofereceram ia resolver”.


A francana completou 26 anos no dia 20 de outubro de 2005 e, na mesma noite, embarcou para São Paulo. Na capital, foi levada até uma casa onde teve que ingerir 80 cápsulas de cocaína. “Acho que deram quase dois quilos de droga. A cocaína estava embalada com plástico e fita isolante, do tamanho de um tampax (absorvente íntimo feminino) e engoli todas tomando água”, disse.


Veja a entrevista exclusiva com Fabiana:

A jovem ficaria apenas cinco dias na África e retornaria para o Brasil, com o dinheiro em mãos. Mas acabou presa e só voltou quatro anos e sete meses depois. Ela já havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Joanesburgo e estava dentro do táxi, seguindo para o hotel onde iria expelir a droga e entregar aos destinatários, quando foi abordada por um policial. A autoridade conferiu o passaporte dela e soube que havia chegado do Brasil. No mesmo voo dela, duas jamaicanas, que também transportavam drogas no estômago, passaram mal e todos os passageiros foram encaminhados para o hospital. Fabiana fez parte do grupo e um exame de raio-x constatou a presença das cápsulas de cocaína.


Presa, Fabiana foi condenada a oito anos de prisão por tráfico internacional de drogas, mas foi libertada antes, por bom comportamento. “Não cheguei a pensar que iria ser pega. Eles (traficantes) falaram que trabalhavam com policiais dentro do aeroporto e não haveria problemas. Realmente passei em todas vistorias, mas tive falta de sorte com as jamaicanas. Acredito que foi Deus porque era um dinheiro fácil e, se tivesse dado certo, talvez iria para outro País fazendo isso de novo”.


A jovem se arrepende do que fez e sonha agora recomeçar a vida ao lado dos três filhos. A caçula, Kimberlyn Victória, nasceu na cadeia sul africana e vive com a avó em Franca desde os cinco meses de vida (leia mais nesta página). O maior desejo de Fabiana é conseguir emprego. “Essa história me ensinou a nunca sonhar tão alto e não pensar que dinheiro fácil é a melhor solução... Errei, mas quero recomeçar. Aprendi a falar, escrever e ler inglês quando estive presa e quero trabalhar num hotel ou em alguma empresa.”

Veja o quadro abaixo: