08 de julho de 2026

Um continente e sua primeira Copa


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Crianças brincam de futebol em parque de Joanesburgo

Gols, alegria, os melhores jogadores do mundo, expectativa, emoção. A Copa do Mundo, cujos jogos começam no próximo dia 11 de junho, significa tudo isso junto, sem dúvida alguma. Apaixonados ou não pelo futebol, todo mundo se junta em frente à TV ou reúne amigos para fazer a viagem dos sonhos e conferir o maior evento esportivo do futebol de perto.


Mas o que significa um mundial da Fifa dentro da África do Sul? O que significa a primeira Copa do Mundo dentro do continente africano, o mesmo cuja sofrida história de imperialismos e colonizações européias acumula alguns dos piores índices de desenvolvimento humano do mundo, histórias crueis de pobreza e divisões de famílias e civilizações inteiras?


A verdade é que o mundo deve uma Copa e muito mais que isso à África. E a realização de um evento esportivo de tamanha grandeza dentro do país mais próspero desse continente pode concretizar o sonho de ver a África do Sul não necessariamente sendo lembrada pela segregação racial e pela pobreza, mas sim por sua cultura, seu povo e suas belezas. É um marco histórico, talvez ainda maior do que foi o Mundial de Rúgbi (esporte mais popular do país) realizado em 1995 que será sempre lembrado pela entrada do então presidente Nelson Mandela, negro, cumprimentando o capitão da seleção local, um branco. Um marco na difícil relação interracial do País. Agora, com o Mundial da Fifa, os sul-africanos planejam usar a penetração do futebol para conquistar o mundo através da alegria de seu povo, da exuberância de suas belezas naturais, além de mostrar capacidade para organizar um mega evento.


Isso tudo quem fala não é o repórter que escreve, mas sim as pessoas nas ruas, principalmente os negros, a verdadeira força motriz da nação e que sente orgulho de sua nacionalidade. "Décadas atrás, nada disso seria possível", afirma Itumelecy Malcwala, que esteve preso dentro da Robben Island prisão política do período do apartheid por 7 anos.


São negros como Malcwala que colocam a mão na massa e são os responsáveis pela transformação do país para a Copa, no turismo, nas obras de rede elétrica, nas monumentais obras de estádios etc. "Aqui nós trabalhamos sob pressão", afirma Bongani, funcionário que trabalha na estação central de trens da Cidade do Cabo, onde está quase todo o tempo ocupado com a parte elétrica do recinto. Segundo o sul-africano, por dia ele pega no batente em média 8 horas, mas que nas últimas semanas tem entrado às 8 horas e só tem saído às 22 horas, para que tudo fique pronto antes da tão sonhada Copa do Mundo.


Considerada a "Copa dos Estrangeiros", haja em vista a majoritária presença de torcedores de outros países e de uma elite sul-africana nos estádios, o Mundial da Fifa causa, ainda sim, esperança e contentamento entre os cidadãos comuns do país. "Estou feliz com a Copa do Mundo, porque com ela haverá mais possibilidades de empregos e desenvolvimento", relata Lawrence Dube, um negro sul-africano que foi interpelado pela reportagem dia desses no subúrbio de Hillbrows.