09 de julho de 2026

Vaidade faz explodir número de cabeleireiros


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INVESTIMENTOS EM DUPLA - Os cabeleireiros Márcia Luisa Hilário e Onato Hilário são casados e donos de um salão de beleza há 20 anos:

Hugo Betarello, fundador da empresa de calçados Agabê, costumava dizer que os sapatos eram um bom negócio, pois “sempre surgem dois pezinhos para usá-los”. Parafraseando o empresário, investir na profissão de cabeleireiro parece ser algo tão promissor quanto, afinal, sempre haverá cabelos para serem cuidados. Com a certeza de que é um filão de mercado, duas pessoas por semana abrem um salão na cidade. Até maio, 35 novos estabelecimentos e profissionais autônomos engrossaram o cadastro de salões de beleza e cabeleireiros da Prefeitura só nesse ano. A abertura de novos institutos de beleza registra crescimento contínuo há anos e a expansão do setor é comprovada pelos registros na Prefeitura. Em 2000, existiam 217 profissionais e salões cadastrados. Em maio último, eram 859. Quem está no ramo confirma o aumento constante da demanda. “O nosso rodízio de clientes aumenta a cada mês e nunca teve queda”, disse Edilene Silva, gerente da V. Officer.


As novas técnicas de tratamento de cabelo, pele e unhas ajudam a explicar o crescimento do interesse do consumidor por serviços de beleza. Hoje é tudo mais prático e com menos riscos. Os alisamentos dos cabelos, por exemplo - que há alguns anos demandavam horas e horas de salão, cheiro muito forte de produtos que permaneciam durante dias na cabeça, alto risco de alergia e queda de cabelo - hoje em dia são feitos com produtos menos agressivos, sem perda de bons resultados. Além desse avanço, que atrai muitas pessoas que resistiam à mudança de visual, montar um salão básico, com lavatório, espelho, aparador e ferramentas de trabalho, é também relativamente fácil e de baixo custo. A pessoa precisa investir R$ 1,8 mil em média, segundo estimativa da Central Escola de Cabeleireiros, que está há 40 anos no mercado. Ou seja, um público interessado e um negócio que não demanda muita estrutura são itens perfeitos para atrair cada vez mais investidores no ramo. Assim, os salões brotam até nas garagens e cômodos residenciais e alimentam o sonho de seus proprietários de prosperar e crescer.


PROGRESSO
O Salão Onato & Márcia é exemplo dessa realidade. O salão existe há 20 anos, mas, antes de se casarem, Onato Hilário, 46, e Márcia Luisa Silva Hilário, 45, já trabalhavam como cabeleireiros. Ela atendia em sua própria casa e ele era funcionário de um salão e professor no Senac. Depois de oficializar a união, o casal decidiu abrir o próprio negócio. Montaram o instituto de beleza num cômodo de comércio alugado. Há um ano mudaram de endereço. Estão no Bairro Cidade Nova, onde o fluxo de pessoas é maior e o espaço mais amplo.


Nos primeiros anos faziam penteados, cortes e tintura. Agora ampliaram o rol de serviços e oferecem depilação, estética e o dia da noiva. Onato e Márcia contam com mais cinco funcionárias, que repassam 20% do lucro para os proprietários. “As nossas cabeleireiras tiram de R$ 2 mil a R$ 3 mil de salário e as manicures, de R$ 1.400 a R$ 1.500”, disse Onato. “Essa profissão era tudo que sonhava para minha vida porque é muito rentável e permite ter contato com muitas pessoas”, disse ele que, ao lado da mulher, construiu um patrimônio cortando cabelos. “Com nossa renda adquirimos seis imóveis”.


Aos 44 anos, Vildânia Alves Vilela sonha em chegar ao mesmo patamar de Onato e Márcia. Quer montar o próprio salão. Ela era costureira manual de sapatos e deixou linha e agulha para arrumar os cabelos e unhas das francanas. Em 2007, se matriculou num curso de cabeleireiro oferecido pelo Cras -(Centro de Referência da Assistência Social) porque estava com dificuldades de arrumar emprego. “Depois dos 40 é muito difícil conseguir um serviço”, disse.

Vildânia, que “nem segurar a tesoura direito sabia”, tomou gosto pela profissão de cabeleireira. “Decidi que eu vou ser minha patroa”. Ela investe no sonho. No currículo, já tem o curso básico, outros três de aperfeiçoamento e um curso de manicure. Planeja agora fazer um de tendências de cortes e outro de maquiagem, para no futuro abrir o tão sonhado salão. Ela faz atendimentos domiciliares ou recebe a clientela em sua própria casa, no Aeroporto III. Neste caso, sem lavatório e espaço próprio, improvisa e lava os cabelos no chuveiro ou no tanque. “Tenho um salão ambulante, mas quero ter um lugar aconchegante para tornar meu trabalho mais conhecido”. Com os trabalhos, a cabeleireira consegue em média R$ 550 por mês.


Colaborou Tuane Bonfim