A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia aprovou, em Brasília (DF), a convocação de 30 pessoas para depor como testemunhas no caso que investiga crimes sexuais que teriam sido cometidos pelo padre José Afonso Dé, 75, ex-vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, em Franca. O padre é acusado de abusar de meninos com idades entre 13 e 16 anos. Ele foi indiciado por estupro de vulnerável e ato libidinoso mediante fraude. O padre nega as acusações, diz ser inocente e afirma que pode ter sido mal interpretado pelos jovens por ser “afetivo”.
De acordo com a assessoria do senador Romeu Tuma (PTB), vice-presidente da CPI, entre os convocados estão seis adolescentes que supostamente foram alvos dos abusos, os pais dos menores e seis padres da cidade. Os nomes dos sacerdotes não foram divulgados.
Os depoimentos serão tomados em Franca, mas a definição da data só ocorrerá na próxima semana. A expectativa é que a decisão saia até dia 9, quarta-feira. Apesar de ainda não ter a data confirmada, é quase certo que a audição aconteça no plenário da Câmara ou no Fórum e dure até dois dias. O objetivo da coleta dos depoimentos em Franca é evitar transtornos com o deslocamento dos menores, do padre e demais envolvidos até Brasília, de acordo com Tuma.
O requerimento para uma acareação entre o padre e as supostas vítimas também foi aprovado pela CPI, mas ela só deverá ocorrer depois dos depoimentos. A ideia inicial é que a audiência seja pública, porém com a preservação dos menores. Eles terão inclusive uma equipe de psicólogos, fornecida pela CPI, a disposição para auxiliá-los.
A acareação na cidade foi aprovada após a apresentação de um relatório elaborado pelo petebista depois de uma viagem a Franca. Na ocasião, ele conheceu o inquérito e colheu mais informações sobre o processo que corre na Justiça. O objetivo era justificar a vinda da comissão à cidade. Em entrevista ao Comércio da Franca, no dia 19 de maio, o senador disse à reportagem que após a visita ficou convencido da culpa do religioso. “Alguns fiéis ainda têm dúvida, mas depois de tomar conhecimento da investigação, tenho certeza da culpa do padre”, disse Romeu Tuma, na ocasião.