O bom momento vivido pela economia francana é um grande alento após anos de incertezas e intranquilidade, principalmente diante da grave crise global de 2008 (e que atravessou 2009) e as incertezas que agora assolam a Europa.
A indústria calçadista - mola mestra da economia de Franca - vem puxando todos os indicadores positivos e encontrou no mercado interno a saída para a instabilidade do comércio exterior. Até pouco tempo atrás, qualquer oscilação mais significativa no câmbio era capaz de trazer o caos à indústria calçadista francana. Mais recentemente, com o fortalecimento do mercado interno, a indústria francana vem enfrentando um período bem mais tranquilo, livre dos tantos sobressaltos verificados em épocas anteriores.
No bojo de toda esta situação favorável, os demais setores da economia também se beneficiam. As bancas de pesponto passam por uma situação de estabilidade como há muito não se via; o setor comercial cresce embalado pelo bom momento da indústria de sapatos; o setor de serviços também reage muito bem. Aliás, Franca vive na atualidade um círculo virtuoso há muito esperado. O emprego cresce na indústria de calçados, impulsionando a produção das empresas terceirizadas (como bancas de pesponto) e das indústrias de equipamentos e insumo. Mais empregos significam mais dinheiro que significa mais consumo. Ou seja, todos ganham.
Atualmente, as perspectivas para o futuro continuam positivas, principalmente por conta da mudança de perfil do comprador do sapato fabricado em Franca. Décadas atrás, a indústria calçadista local dependia quase que exclusivamente dos Estados Unidos, para onde seguia grande parte da produção francana. Hoje, quando o calçado chinês vem deixando de ser o grande vilão para a indústria local e tendo no mercado interno um de seus grandes parceiros, a economia francana já não sobrevive dependendo unicamente do humor do câmbio e do apetite dos compradores americanos.
Como o fluxo de vendas para a Europa nunca foi capaz de suprir a demanda para absorver a produção calçadista francana (já que os produtos fabricados na Itália e na Espanha sempre foram preferenciais no Velho Continente), a indústria de Franca precisou encontrar outros nichos para a sua sobrevivência. E encontrou nos países da América do Sul, no Japão e no mercado interno dutos poderosos para o escoamento da produção local. Nem a crise dos anos 2008 e 2009 foi capaz de jogar por terra este bom momento, que transparece com mais força nestes primeiros meses de 2010. Assim como em todo o mundo, houve desemprego na cidade. Mas os empregos perdidos no período foram recuperados além do previsto. Que os bons ventos continuem.