10 de julho de 2026

Epidemia de drogas manda um por dia para a cadeia em Franca


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ESPECIALISTA - Pedro Dalaqua, delegado da Dise de Franca, demonstra preocupação com disseminação das drogas na cidade

Uma pessoa é presa em flagrante por tráfico de drogas por dia em Franca. No ano passado foram 377 prisões, aumento de 23,6% na comparação com o ano anterior quando foram registradas 305 prisões. O delegado Pedro Luiz Dalaqua, da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), diz que o problema das drogas em Franca é como uma epidemia. Ele não tem as estatísticas de 2010, mas já trabalha com a expectativa de novo crescimento no número de prisões.


Dalaqua afirma que o consumo de entorpecentes é crescente em todos os bairros da cidade, especialmente de crack e maconha, drogas mais baratas e de fácil acesso. "Quanto mais pessoas querem consumir, mais pessoas estarão querendo vender", disse o delegado da Dise. A prisão de um grande traficante ocasiona o aparecimento de outro. Dalaqua explica que muitas vezes o substituto é da mesma família. Ele ocupa o lugar do primeiro e atende a clientela antiga. A rotatividade tornou-se uma característica francana.


Para sustentar o vício, os usuários furtam e roubam. Outros aceitam vender drogas em troca de parte para seu consumo diário. Assim, a maioria dos roubos na cidade está relacionada diretamente ao tráfico. "É inegável que existe vínculo entre o aumento na criminalidade em geral e o tráfico", confirmou Dalaqua. A situação é ainda pior quando quadrilhas são mandadas para a cadeia. Cada vez que um traficante distribuidor é preso na cidade ou grande quantidade de droga é aprendida, aumenta o número de roubos. Isso porque os traficantes passam a precisar de dinheiro para repor o que perderam e o roubo é o meio mais rápido. Pior para a população que se vê às voltas com pessoas que estão armadas e desesperadas por causa de dívidas relacionadas às drogas.


<b>MAJOR NICÁCIO</b>
Franca não tem laboratórios para a fabricação de drogas. Maconha, cocaína e crack, segundo a Polícia Civil, chegam à cidade através do Mato Grosso do Sul e Paraguai, via distribuidores em Ribeirão Preto. Ônibus, carros e motos são os veículos mais utilizados para o transporte. Quando a droga chega, ela é distribuída em vários pontos, não havendo um bairro que se destaque.


No entanto, nas últimas semanas, a Dise intensificou o trabalho nos bairros São José e Santa Cruz em virtude da grande concentração de usuários naquela região da cidade. De acordo com Dalaqua, a área próxima ao Fórum Alberto de Azevedo tornou-se um "paraíso" para traficantes por causa dos frequentadores dos centros comerciais instalados no entorno.


O delegado chega a fazer um apelo para que as pessoas evitem dar esmolas a pedintes e dinheiro a guardadores de carros que se aglomeram no local. "Eles pedem dinheiro para comprar crack", afirma o delegado, antes de revelar o motivo de sua certeza. Em apenas um mês, três grandes traficantes foram presos nos bairros citados. Todos aumentaram seus ganhos com os viciados que conseguiam dinheiro junto as pessoas que iam se divertir nos restaurantes, lanchonetes e pizzarias existentes nas proximidades.


<b>NOVE PRESOS</b>
A última prisão feita pelos agentes da Dise levou nove pessoas, incluindo três mulheres, entre elas uma jovem de 17 anos, para a cadeia. O grupo foi preso com oito quilos de maconha, quatro pedras de crack, dois veículos, mais de R$ 3 mil em dinheiro, aparelhos celulares, entre outros objetos na noite de segunda-feira. O “negócio” era comandado por um ex-presidiário, que assumiu o lugar de um pedreiro de 44 anos, morador no Paineiras.


O pedreiro conheceu dentro da cadeia do Guanabara um vendedor de 34 anos prestes a ganhar a liberdade. O vendedor aceitou assumir as negociações para a compra de drogas em Ribeirão Preto e o controle das “biqueiras” em vários bairros. Após 45 dias de investigações, o ex-presidiário e mais oito pessoas foram presos em flagrante. “Indivíduos que assumem posições daqueles que estão presos são os nossos maiores problemas”, admitiu Dalaqua.

Veja o quadro abaixo: