08 de julho de 2026

Decisão judicial


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Nem só de lamentos devem viver as pessoas. A vida não se compõe unicamente de amargura e, cabe a cada um, construir e gozar bons momentos. Atentemos todos, sem perda de tempo, ser um dever formatar instantes de alegria que desfrutemos com volúpia.


Que triste vida suporta o casal em rotina duradoura, cansativa com discórdia em cada canto da casa que já foi pequena para alaridos infantes ou folguedos de jovens estrepitosos? Que maldito apego aprisiona você diante da TV? Onde seu elã de outrora, a tudo concorde, atento, resoluto em alegria e vida?


Convites vão se sucedendo com não aquiescência se repetindo até velar-se o desejo de vida, de amor, de paixão ou ternura, vencidos pela morbidez da ausência de interesse daquele seu mais próximo, mais íntimo e capaz de sustentar suas vidas sempre belas.


A felicidade é uma arquitetura existente em cada um, a que se deve consagrar cuidado, no entanto, ignorá-la: É o passo que se tem dado contra seu alcance.


O Brasil congrega desde os primórdios um povo pacato, tolerante, alegre, feliz, samba no pé, bola também, cheio de esperanças, oceanos – Antártico, Índico, Atlântico, Pacífico – de cerveja, inibidora do estresse que castiga outros povos com furacões, terremotos, enchentes que não perturbam nosso carnaval e alegria do povo livre.


Ainda agora esta gente ordeira, usando o direito constitucional, imaginou um projeto popular, foi às ruas arrolar 1,7 milhões de assinaturas para impedir candidaturas de políticos sem caráter – ficha suja –, criminoso, processado, condenado.


Mais uma vez o povo brasileiro poderia cantar sua alegria exclamando alvíssaras: a Câmara Federal e o Senado Federal entenderam o propósito de moralização aprovando a medida, exigindo de político uma ficha limpa, do mesmo jeito que exigem de um candidato ao emprego de gari, folha corrida da polícia que o habilite a ser varredor de ruas.


Ano eleitoral, como não aprovar a proposta do povo? Congressistas estudaram-na sete meses, apuseram as emendas convenientes a resguardarem suas permanências no emprego.


Entre os reparos, uma intenção de salvar os "sujos ocultos" levou o senador Francisco Dorneles (PP-RJ) a apresentar emenda de redação mudando tempos verbais em cinco artigos, indicando políticos que "forem condenados" quando seria "tenham sido condenados". Saíram-se bem os muitos envolvidos já condenados, cabendo ao STE à tarefa de interpretar e julgar. O povo do Brasil segue contente e em festa com samba e bola no pé enquanto raposas cuidam das galinhas.


Muito se tem sabido de agressões físicas a professores por alunos adolescentes nas escolas brasileiras, em muitos casos com comprometimento dos próprios pais endossando a ação.


Agora eu exclamo: alvíssaras. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul reconheceu direito da professora Vera Lúcia Meirelles Meroni, agredida e espancada no páreo da escola onde trabalha em Jaguarão. A decisão judicial: os pais do indisciplinado adolescente pagarão indenização à vítima.

 

Garcia Netto
Jornalista